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| | Mais de 1,5 milhão de brasileiros não sabem ler | | | | Pesquisa divulgada pelo Instituto Paulo Montenegro, com dados levantados pelo Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), entre 2001 e 2005, mostra que a escolaridade do brasileiro aumentou nos últimos anos, mas o aprendizado não acompanhou esse crescimento. De acordo com os números do Inaf, 9,8 milhões de pessoas, com idade entre 15 e 64 anos, podem ser consideradas analfabetas e 37,1 milhões têm alfabetização rudimentar - são capazes de entender apenas textos pequenos e simples, como os anúncios.
O levantamento mostra que Minas tem 9% de analfabetos - pelo menos 1,6 milhão de habitantes -, na faixa etária pesquisada. O índice repete o do Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo foi dividido em quatro níveis de habilidades de leitura e escrita e de matemática. A pesquisa consiste em aplicação de testes, cujas notas variam de 0 a 200. A média mineira para leitura e escrita foi de 98.
De acordo com a pesquisa, Minas é melhor entre os estados da Região Sudeste no nível alfabetização rudimentar, com 33% da população capaz de localizar informações explícitas em textos curtos, um anúncio ou pequena carta. Rio de Janeiro amarga o pior índice (22%), seguido por Espírito Santo (25%) e São Paulo (32%). No nível básico, os mineiros se destacam novamente entre os vizinhos e apenas 32% do universo pesquisado têm capacidade de encontrar informações em textos um pouco mais extensos, podendo fazer pequenas conclusões.
No quesito pleno, no qual foi testada a capacidade de ler textos longos e se orientar por subtítulos, localizar mais de uma informação, relacionando partes de um texto, comparando dois textos, fazendo deduções e sínteses, Minas tem um número pouco expressivo e ocupa a penúltima posição na região. Apenas 26% dos habitantes entre 15 e 64 anos estão enquadrados nesse perfil - igual ao número nacional. São Paulo tem os piores índices, com 24%.
Para as habilidades de matemática foram usados os mesmos conceitos de nivelamento. Os mineiros representam 5% da população do Sudeste sem condições de fazer tarefas elementares com números, como ler o preço de um produto ou anotar um número de telefone. Cada um dos outros três estados registrou 1% dos habitantes nessa situação. Também no estudo numérico, Minas registrou os melhores índices no nível rudimentar: 34% têm aptidão para ler números em contextos específicos como preço, horário e números de telefone. A pior condição foi registrada no Rio de Janeiro, com 19%.
Investimento
A diretora-executiva do Instituto Paulo Montenegro, Ana Lúcia Lima, afirma que esses resultados são reflexo dos investimentos em educação no estado, com a incorporação de pessoas que estavam fora do sistema, principalmente em comunidades rurais. "Está ocorrendo a entrada de uma população que não costumava freqüentar a escola e cujos pais e avós também não. Minas teve, nos últimos anos, um acesso maciço à educação, que requer uma escola pronta para atender a demanda", afirma.
Na próxima pesquisa, a doméstica Maria de Lourdes Freire, de 47 anos, poderá fazer parte de uma estatística mais positiva. Ela conta que não pôde estudar, pois, desde criança foi obrigada a trabalhar em casas de família, para ajudar a mãe a criar os irmãos. Aluna de uma escola municipal no Barreiro, em Belo Horizonte, ela estuda a primeira série com 20 colegas e está conhecendo o alfabeto e aprendendo a juntar as sílabas. "Tenho muita fé que vou conseguir. Meu sonho é poder escrever, em época de Natal ou no aniversário das minhas filhas, um cartão dizendo `eu te amo.´"
| | | | Fonte: O Norte Online - PB (Notícias) - pág. Online | | | | Data: 29-03-2007 | | | |
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