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Sábado, 25 / 05 / 2013
 
  inaf / balanço 5 anos 

 
 



De acordo com as informações do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), no período de 2001 a 2005, o aumento da escolaridade da população brasileira não se reflete na mesma proporção em termos de aprendizado

O Inaf vem sendo apurado anualmente desde 2001 por meio de estudo realizado pelo IBOPE Opinião com base na metodologia desenvolvida em parceria entre o Instituto Paulo Montenegro– responsável pela atuação social do IBOPE – e a ONG Ação Educativa.

O Indicador mensura os níveis de alfabetismo funcional da população brasileira entre 15 e 64 anos de idade, englobando residentes de zona surbanas e rurais de todas as regiões do Brasil, quer estejam estudando quer não. O indivíduo considerado analfabeto funcional é aquele que, mesmo sabendo ler e escrever, não possui as habilidades de leitura, escrita e cálculo necessárias para viabilizar seu desenvolvimento pessoal e profissional.

O Inaf segmenta os brasileiros em quatro níveis, de acordo com suas habilidades em leitura/escrita (letramento) e em matemática (numeramento). São eles: analfabetismo, alfabetismo rudimentar, alfabetismo básico e alfabetismo pleno, cujo detalhamento das respectivas características encontra-se no final deste material. Ao consolidar e divulgar os dados coletados no período de 2001 a 2005, o Instituto Paulo Montenegro aporta um conjunto de dados inéditos, que visam contribuir com o desenho, o aperfeiçoamento e a avaliação de políticas públicas e outras ações voltadas à educação e ao desenvolvimento de nossa sociedade.

PRINCIPAIS OBSERVAÇÕES:

A escolaridade da população brasileira vem aumentando significativamente. Os dados do IBGE mostram, por exemplo, que a parcela de pessoas de 15 a 64 anos com no máximo quatro anos de estudo caiu de 37,9% para 33,6% entre 2002 e 2005, enquanto que a proporção daqueles que completaram o ensino médio ou superior subiu de 35,5% para 40,8% no mesmo período.

O Inaf mostra, no entanto, que este aumento da escolaridade ainda não garante resultados positivos em termos de alfabetismo funcional. Com efeito, o desempenho dos brasileiros entre 15 e 64 anos mostra uma tendência de melhora tanto em letramento quanto em numeramento, mas em ritmo inferior ao da própria escolarização. "A grande contribuição do Inaf é fornecer indicadores sobre o alfabetismo funcional da população brasileira de 15 a 64 anos, complementando as avaliações escolares existentes e oferecendo subsídios para orientarações que possam contribuir para a mudança do quadro educacional brasileiro – essencial para a diminuição das desigualdades e para agarantia de um desenvolvimento compatível com um cenário mundial cada vez mais globalizado e competitivo", explica a diretora executiva do Instituto Paulo Montenegro, Ana Lúcia Lima.

Ao compilar as habilidades de letramento e numeramento em relação ao grau de escolaridade da população, o Inaf traça um retrato das habilidades e competências para cada grupo:

A) Escolaridade entre 1ª e 4a série

 – 30,6 milhões entre 15 e 64 anos

 - Mais de 2/3 (68%) dos que estudam ou estudaram até a 4ª série atingem no máximo o nível rudimentar de alfabetismo, ou seja, são capazes de entender as informações contidas em textos simples como cartas ou anúncios curtos, mas não conseguem compreender textos mais longos.

- Quase 4 milhões (13%) dos brasileiros nesta faixa de escolaridade são avaliados como analfabetos em termos de leitura/escrita, pois não conseguem decodificar palavras ou frases, ainda que em textos simples.

- E 4% deste grupo (mais de 1 milhão de brasileiros) não são capazes de realizar tarefas elementares com números, como ler o preço de um produto ou anotar um número de telefone.

B) Escolaridade entre 5a e 8a série

– 31,1 milhões entre 15 e 64 anos

- Apenas 24% do total pode ser considerado plenamente alfabetizado em termos de leitura e escrita e apenas 16% quando consideradas as habilidades matemáticas.

- A maior parte deste grupo se enquadra no nível básico de alfabetismo, tanto no quesito letramento (51%), como em numeramento (58%)

- Cerca de ¼ destes indivíduos encontra-se ainda no nível de alfabetismo rudimentar, enfrentando sérias dificuldades em leitura/escrita (24%) e matemática (25%), mesmo cursando ou tendo cursado o ensino fundamental.

C) Escolaridade ensino médio ou superior

– 50 milhões entre 15 e 64 anos

- Apenas neste grupo prevalecem os indivíduos que têm pleno domínio das habilidades de leitura e escrita (56%).

- Pouco menos da metade (49%) registrou nível pleno de alfabetismo em habilidades matemáticas.

OUTRAS OBSERVAÇÕES IMPORTANTES

 

Ao segmentar os brasileiros por faixas etárias, o Inaf mostra que, considerando pessoas com escolaridade semelhante, os jovens entre 15 e 24 anos têm melhor desempenho em leitura enquanto os adultos (de 40 a 64 anos) se saem melhor em testes que avaliam suas habilidades matemáticas. Por exemplo: dentre os jovens de 15 a 24 anos que têm entre 5 e 8 anos de estudo apenas 21% não atingem o nível básico de alfabetismo em leitura, enquanto no grupo de indivíduos com 40 a 64 anos, essa proporção sobe para 34%.

LETRAMENTO – Inaf / Brasil (2001 – 2003 – 2005), por faixa etária

 

1ª a 4ª série

5ª a 8ª série

Ensino Médio ou mais

 

15 a 24

25 a 39

40 a 64

15 a 24

25 a 39

40 a 64

15 a 24

25 a 39

40 a 64

Analfabeto

12%

11%

14%

0%

1%

0%

0%

0%

0%

Rudimentar

48%

53%

57%

21%

24%

34%

6%

8%

6%

Básico

32%

29%

25%

51%

52%

50%

38%

35%

40%

Pleno

8%

6%

4%

28%

23%

16%

57%

57%

54%

Por outro lado, quando se faz a mesma análise sobre as habilidades matemáticas, verifica-se que é o grupo de 25 a 39 anos que mostra um melhor desempenho para todas as faixas de escolaridade. Em linhas gerais, é nesta idade que as pessoas são mais comumente estimuladas por solicitações profissionais e familiares do dia-a-dia. O nível pleno em numeramento só é atingido por 11% daqueles que cursam ou cursaram entre a 5ª e a 8ª série.

NUMERAMENTO – Inaf / Brasil (2002-2004), por faixa etária

 

1ª a 4ª série

5ª a 8ª série

Ensino Médio ou mais

 

15 a 24

25 a 39

40 a 64

15 a 24

25 a 39

40 a 64

15 a 24

25 a 39

40 a 64

Analfabeto

6%

4%

3%

0%

0%

0%

0%

0%

0%

Rudimentar

62%

52%

54%

29%

21%

26%

7%

4%

4%

Básico

28%

38%

38%

60%

59%

53%

53%

40%

34%

Pleno

4%

6%

5%

11%

20%

21%

41%

56%

61

Análise por Gênero

Sabe-se que a população feminina brasileira tem, em média, escolaridade superior à dos homens e vem mostrando, nas avaliações escolares, um melhor desempenho em leitura e escrita, enquanto que os homens se sobressaem nas habilidades matemática. O Inaf confirma esta tendência, principalmente nos níveis mais baixos de escolaridade.

LETRAMENTO – Inaf / Brasil, por Gênero

 

% Até 4ª série

% 5ª a 8ª série

% Ensino Médio ou Mais

% Total

 

MAS

FEM

MAS

FEM

MAS

FEM

MAS

FEM

Analfabeto

21

17

1

0

0

0

9

7

Rudimentar

51

51

26

23

9

5

32

28

Básico

24

27

51

52

37

37

35

37

Pleno

4

5

22

25

54

58

23

2

NUMERAMENTO–Inaf/ Brasil, por Gênero

 

 

% Até 4ª série

% 5ª a 8ª série

% Ensino Médio ou Mais

% Total

 

MAS

FEM

MAS

FEM

MAS

FEM

MAS

FEM

Analfabeto

4

7

0

0

0

0

2

3

Rudimentar

47

61

18

32

4

7

26

35

Básico

42

29

62

55

37

52

46

44

Pleno

6

3

20

13

59

42

26

19

O próprio Inaf mostra que as mulheres dedicam-se, efetivamente, mais à leitura, enquanto os homens, com maior freqüência, a atividades de controle do orçamento e consumo doméstico. Outro fator que pode explicar uma maior habilidade masculina em numeramento são as oportunidades e as práticas no mercado de trabalho. Em 2005, 77% dos homens entrevistados estavam trabalhando contra 51% das mulheres.

Análise Regional

Regionalmente, o Brasil registra grandes disparidades entre uma região e outra em termos de alfabetismo. A Região Sul, por exemplo, registra os maiores índices do País tanto em leitura/escrita como em habilidades matemáticas, ficando 4 pontos acima da média obtida pelas demais regiões em letramento e 10 pontos acima da média em numeramento. Já a Região Nordeste registra 6 pontos a menos do que a média brasileira em letramento e 8 pontos a menos em numeramento.

Informações adicionais

BRASIL

POPULAÇÃO (15 a 64 anos) em 2005: 122.708.812

ANALFABETOS (PNAD 2005): 10.711.266(9%)

LETRAMENTO NUMERAMENTO

 

LETRAMENTO

NUMERAMENTO

ANALFABETOS9.874.768 (8%)2.790.230 (2%)
NÍVEL RUDIMENTAR37.168.381 (30%)37.714.103 (31%)
NÍVEL BÁSICO44.180.897 (36%)55.038.060 (45%)
NÍVEL PLENO31.484.767 (26%)27.708.812 (22%

Detalhamento dos níveis de alfabetismo

 

Habilidades leitura/escrita (letramento)

Habilidades matemáticas (numeramento)

AlfabetoCorresponde à condição dos que não conseguem realizar tarefas simples que envolvem decodificação de palavras e frases.Corresponde  à condição dos que não conseguem realizar tarefas elementares com números, como ler o preço de um produto ou anotar um número de telefone.
RudimentarCorreponde à capacidade de localizar informações explícitas em textos curtos, um anúncio ou pequena carta.Corresponde à capacidade de ler números em contextos específicos como preço, horário, números de telefone etc.
BásicoCorresponde à capacidade de localizar informações em textos um pouco extensos, podendo realizar pequenas inferências.Corresponde à capacidade de ler números, resolver problemas simples envolvendosoma, subtração e multiplicação, ou mesmo a identificação de relações de proporcionalidade, ainda que recorrendo eventualmente à calculadora.
PlenoCorreponde à capacidade de ler textos longos, orientando-se por subtítulos,localizando mais de uma informação, de acordo com condições estabelecidas, relacionando partes de um texto, comparando dois textos, realizando inferências e sínteses.Corresponde  à capacidade de controlar uma estratégia na resolução de problemas mais complexos, que exigem a elaboração e a execução de uma série de operações relacionadas entre si, apresentando, ainda, familiaridades com mapas e gráficos e outras representações matemáticas de um social freqüente

"O retrato educacional da população brasileira adulta fornecido pelo Inaf explicita a importância da articulação de ações conduzidas pelos diversos setores da sociedade - poder público, comunidade, empresas, entidades e associações da sociedade civil - visando garantir um ambiente propício para a o desenvolvimento pessoal e profissional dos brasileiros", conclui a executiva.

Faça o download deste estudo na íntegra: Clique aqui  
 



 
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 Apresentação

 Inaf 2011-2012

 Banco de Dados Inaf 2001-2009

 Inaf Jovens 2009

 Inaf Leitura, Escrita e Matemática 2009

 Inaf Leitura, Escrita e Matemática 2007

 Balanço 5 Anos

  Inaf Leitura e Escrita 2005

  Inaf Matemática 2004

  Inaf Leitura e Escrita 2003

  Inaf Matemática 2002

  Inaf Leitura e Escrita 2001

 
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