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Domingo, 26 / 05 / 2013
 
  inaf / inaf leitura, escrita e matemática 2007 

 
Inaf 2007 mostra a evolução da educação no Brasil
 


O Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) vem sendo apurado anualmente, desde 2001, por meio de estudo realizado pelo IBOPE com base na metodologia desenvolvida em parceria entre o Instituto Paulo Montenegro – responsável pela atuação social do IBOPE – e a ONG Ação Educativa. O Indicador mensura os níveis de alfabetismo funcional da população brasileira entre 15 e 64 anos de idade, englobando residentes de zonas urbanas e rurais de todas as regiões do Brasil, quer estejam estudando quer não.

O Inaf/Brasil segmenta os brasileiros em quatro níveis, de acordo com suas habilidades em leitura/escrita (letramento) e em matemática (numeramento). São eles: analfabetismo, alfabetismo rudimentar, alfabetismo básico e alfabetismo pleno, cujo detalhamento das respectivas características encontram-se no final deste material.

Ao consolidar e divulgar os dados do Inaf/Brasil 2007, o Instituto Paulo Montenegro comemora o significativo aumento do espaço dedicado pela mídia às questões relacionadas à educação no Brasil durante o ano. A análise de indicadores de desempenho escolar, a discussão de planos e propostas governamentais e da sociedade civil e a atenta cobertura de iniciativas bem sucedidas têm certamente contribuído para que a promoção de uma educação de qualidade para todos passe crescentemente a fazer parte da agenda de prioridades dos brasileiros.

Principais observações da 6ª edição do Inaf/Brasil

Os resultados do Inaf/Brasil mostram avanços em termos de alfabetismo funcional.

Evolução do Indicador de Alfabetismo Funcional

RESPOSTA

TOTAL
2001-2002
2002-2003
2003-2004
2004-2005
2007

BASE

12.006

4.000

4.000

4.002

4.004

2.002

Analfabeto

11%

12%

13%

12%

11%

9%

Rudimentar

26%

27%

26%

26%

26%

25%

Básico

37%

34%

36%

37%

38%

38%

Pleno

26%

26%

25%

25%

26%

28%

Analfabetos funcionais

37%

39%

39%

38%

37%

34%

Alfabetizados funcionalmente

63%

61%

61%

62%

63%

66%

· Reduz-se a proporção de indivíduos classificados como analfabetos absolutos e no nível rudimentar de alfabetismo (equivalente, neste ano, a 9% e 25% da população na faixa etária pesquisada, ante 12% e 27% nas primeiras edições do Inaf em 2001-2002).

· Já os níveis básico e pleno têm crescido solidamente: de 34% para 38% e de 26% para 28%, respectivamente nos mesmos períodos.

Esta evolução pode ser associada à crescente escolarização da população brasileira, que aumentou significativamente nas últimas décadas. A parcela de crianças e adolescentes entre 7 e 14 anos frequentando a escola, por exemplo, praticamente se universalizou, graças ao maior acesso e permanência na escola.

Os dados consolidados do período de 2001 a 2007 confirmam que quanto maior o nível de escolaridade, maior a chance do indivíduo atingir bons níveis de alfabetismo.

 

 
 Alfabetismo por Escolaridade
Inaf/BRASIL
(2001 a 2007)
  SEM
ESCOLA-
RIDADE
 DE 1ª A 4ª
SÉRIE
DE 5ª A 8ª
SÉRIE
 ENS.
MÉDIO
 ENSINO
SUPERIOR
Base 12.006 1.182 3.356 3.238 3.112 1.118
Analfabeto 11% 73% 13% 1% 0% 0%
Rudimentar 26% 23% 52% 26% 8% 2%
Básico 37% 3% 30% 53% 45% 24%
Pleno 26% 1% 5% 20% 47% 74%
Analfabetos
funcionais
 37% 96% 65% 27% 8% 2%
Alfabetizados
funcionalmente
 63% 4% 35% 73% 92% 98%

Ao compilar as habilidades de letramento e numeramento o Inaf/Brasil traça um retrato das habilidades e competências para cada grupo e mostra que, além de ampliar o acesso, é preciso garantir a qualidade da educação, pois ainda é significativa a defasagem com relação às aprendizagens esperadas para cada ciclo escolar.

A importância da escolaridade no Indicador de Alfabetismo Funcional

  • A maioria dos brasileiros (65%) entre 15 e 64 anos que estudaram da 1ª a 4ª série atinge no máximo o grau rudimentar de alfabetismo, ou seja, localizam somente informações explícitas em textos curtos e efetuam operações matemáticas simples, mas não compreendem textos mais longos nem definem estratégias de cálculo para resolução de problemas.
  • E ainda mais grave: 13% destas pessoas podem ser consideradas analfabetas absolutas em termos de leitura/escrita, não conseguindo codificar palavras e frases, mesmo que simples, além de terem dificuldade em lidar com números em situações do dia-a-dia.
  • Dentre os que cursam da 5ª a 8ª série, apenas 20% podem ser considerados plenamente alfabetizados e 26% ainda permanecem no nível rudimentar, com sérias limitações.
  • Enquanto 47% dos que cursaram ou estão cursando o Ensino Médio atingem o nível pleno de alfabetismo, esperado para 100% neste grau de escolaridade, outros 45% ainda permanecem no nível básico.
  • Somente entre aqueles que atingem ou completam o Ensino Superior observa-se uma maioria (74%) com pleno domínio das habilidades de leitura/escrita e das habilidades matemáticas.

“A grande contribuição do Inaf é fornecer indicadores sobre o alfabetismo funcional da população brasileira, complementando as avaliações escolares existentes. Com este indicador procuramos oferecer subsídios para orientar ações que possam contribuir para a mudança do quadro educacional brasileiro, passo essencial para a diminuição das desigualdades e para a garantia de um desenvolvimento compatível com um cenário mundial cada vez mais globalizado e competitivo”, explica a diretora executiva do Instituto Paulo Montenegro, Ana Lúcia Lima.

Outros aspectos relevantes do Inaf/Brasil 2007

Análise do alfabetismo por faixas etárias

Ao compararmos os dados obtidos nas primeiras edições do Inaf/Brasil com os dados de 2007 por faixas etárias, dois dados chamam nossa atenção:

  • A grande diferença no nível de alfabetismo dos mais jovens comparado àquele dos mais velhos, ilustrando mais uma vez a importância da universalização do ensino.
  • O significativo avanço no nível de alfabetismo das pessoas entre 25 e 49 anos.
Alfabetismo por Faixas Etárias
 

De 15 a 24 anos

De 25 a 34 anos

De 35 a 49 anos

De 50 a 64 anos

 

2001-2002

2007

2001-2002

2007

2001-2002

2007

2001-2002

2007

BASE

1.264

573

916

485

1.076

528

744

416

Analfabeto

3%

3%

7%

4%

15%

12%

29%

20%

Rudimentar

19%

14%

26%

22%

31%

28%

37%

39%

Básico

43%

46%

35%

39%

32%

35%

23%

29%

Pleno

35%

37%

32%

35%

22%

24%

11%

12%

Analfabetos funcionais

22%

17%

33%

26%

46%

40%

66%

59%

Alfabetizados funcionalmente

78%

83%

67%

74%

54%

60%

34%

41%

“O retrato educacional da população brasileira adulta, fornecido pelo Inaf, explicita a importância da articulação de ações conduzidas pelos diversos setores da sociedade - poder público, comunidade, empresas, entidades e associações da sociedade civil - visando garantir um ambiente propício para o desenvolvimento pessoal e profissional dos brasileiros”, comenta Vera Masagão, coordenadora de programas da Ação Educativa, responsável pela análise dos dados do Inaf/Brasil 2007.

Análise do alfabetismo por gênero

Sabe-se que a população feminina brasileira tem, em média, escolaridade superior à dos homens e vem mostrando, nas avaliações escolares, um melhor desempenho em leitura e escrita, enquanto que os homens se sobressaem nas habilidades matemáticas. O Inaf/Brasil 2007, ao aferir, pela primeira vez, tanto as competências de numeramento quanto as de letramento simultaneamente, mostra um equilíbrio entre os dois gêneros, com ligeira vantagem para as mulheres.

Alfabetismo por Gênero
Inaf/BRASIL 2007

 

Homens

Mulheres

BASE

978

1.024

Analfabeto

10%

9%

Rudimentar

26%

23%

Básico

37%

39%

Pleno

27%

28%

Analfabetos funcionais

36%

33%

Alfabetizados funcionalmente

64%

67%

Análise do alfabetismo por regiões do país

Regionalmente, o Brasil registra grandes disparidades entre uma região e outra em termos de alfabetismo. A região Sul continua registrando os maiores índices do País, tanto em leitura/escrita como em habilidades matemáticas, com 71% da população funcionalmente alfabetizada, sendo 1/3 de forma plena, um perfil semelhante ao da região Sudeste.

Já a região Nordeste é a que apresenta o maior contingente de analfabetos funcionais, representando 47% da população entre 15 e 64 anos.

Alfabetismo por Região
Inaf/BRASIL
(2001 a 2007)
Norte/
Centro-Oeste
Nordeste
Sudeste
Sul
BASE
12.006
1.764
3.120
5.330
1.792
Analfabeto
11%
18%
16%
8%
5%
Rudimentar
26%
 23%31%
25%
24%
Básico
37%
35%
34%
38%
38%
Pleno
26%
24%
19%
28%
33%
Analfabetos funcionais
37%
41%
47%
33%
29%
Alfabetizados funcionalmente
63%
59%
53%
67%
71%

Definições de alfabetismo

  • Analfabetismo
    Corresponde à condição dos que não conseguem realizar tarefas simples que envolvem a leitura de palavras e frases ainda que uma parcela destes consiga ler números familiares (números de telefone, preços etc.).
  • Alfabetismo nível rudimentar
    Corresponde à capacidade de localizar uma informação explícita em textos curtos e familiares (como um anúncio ou pequena carta),  ler e escrever números usuais e realizar operações simples, como manusear dinheiro para o pagamento de pequenas quantias ou fazer medidas de comprimento usando a fita métrica.
  • Alfabetismo nível básico
    As pessoas classificadas neste nível podem ser consideradas funcionalmente alfabetizadas, pois já lêem e compreendem textos de média extensão, localizam informações mesmo que seja necessário realizar pequenas inferências, lêem números na casa dos milhões, resolvem problemas envolvendo uma seqüência simples de operações e têm noção de proporcionalidade. Mostram, no entanto, limitações quando  as operações requeridas envolvem maior número de elementos, etapas ou relações.
  • Alfabetismo nível pleno
    Classificadas neste nível estão as pessoas cujas habilidades não mais impõem restrições para compreender e interpretar elementos usuais da sociedade letrada: lêem textos mais  longos, relacionando suas partes, comparam e interpretam informações, distinguem fato de opinião, realizam inferências e sínteses. Quanto à matemática, resolvem problemas que exigem maior planejamento e controle, envolvendo percentuais, proporções e cálculo de área, além de interpretar tabelas de dupla entrada mapas e gráficos.


    Conheça mais sobre o Inaf Leitura e Escrita - 2007:
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