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Depoimentos |
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Representantes dos Pólos NEPSO
Vera Masagão Ribeiro - Coordenadora de projetos da ONG Ação Educativa; Maria da Conceição Fonseca - Pólo NEPSO Minas Gerais; Nilda Stecanela - Pólo NEPSO Rio Grande do Sul; Oscar García - Pólo NEPSO Argentina; Maria da Conceição Bezerra da Silva - Pólo NEPSO Pernambuco e Nancy Cueto - Pólo NEPSO Chile. Maria Tereza - Pólo NEPSO Paraná; BENEFÍCIOS E APRENDIZAGEM DO PROGRAMA NEPSO
Vera Masagão Ribeiro Coordenadora de programas da ONG Ação Educativa
Acho que tivemos aqui uma boa amostra dos desafios que as pessoas que estão realizando o projeto nos pólos, em contato direto com os professores, sendo elas mesmas e eles mesmos professores trazem e vivem em seu dia-a dia.
Envolvida no programa NEPSO desde seu início como coordenadora da Ação Educativa, tenho acompanhado e discutido o NEPSO e retomo aqui algumas provocações. O senador Cristóvam trouxe essa questão: “olha, nem os empresários, nem as ONGs, o que dirá um professor - aqueles heróis sensacionais, bacanas que estão lá - vão conseguir sozinhos”. Porque de fato, a educação precisa de talento e persistência. E persistência não apenas de cada indivíduo: você precisa de um esforço persistente e sistemático! Para que a participação de uma criança ou de um jovem que participa hoje de uma pesquisa, surtam efeitos mais duradouros na sua vida é preciso que ele encontre outras e outras e outras oportunidades ao longo de toda a escolaridade.
Um dos grandes problemas, uma das grandes questões que a gente vem discutindo, o Instituto Paulo Montenegro, a Ação Educativa e todos os atores envolvidos, é como influenciar, a partir dessas experiências pedagógicas que a gente vive, tão enriquecedoras, como estabelecer uma relação da escola com o seu contexto e, principalmente, como não empobrecer a contextualização, como, de fato, indagar a realidade de uma maneira que mobilize o interesse por adquirir ferramentas intelectuais e de linguagem, que de fato permitam conhecer e comunicar o conhecimento. A gente vem discutindo como fazer esse diálogo entre o pedagógico e o político.
Sabemos que, muitas vezes, temos esse entusiasmo grande quando vemos as coisas acontecendo, mas às vezes também nos desanimamos, dizemos assim: “a gente está enxugando gelo, a gente faz, forma um bom grupo de professores, junta estes grupos e parece que a coisa vai”. Mas nem sempre é assim! Parece que uma tarefa inglória porque, de fato, a gente percebe, por exemplo, um problema que acontece pelo menos nos grandes centros, gravíssimo, principalmente nas escolas de periferia: um grupo de professores que começam a se animar, seis meses depois, 90% do corpo docente dessa escola mudou porque você tem um sistema de gestão que as escolas não são instituições fortes, com corpo identificado com ela, são casas de passagem, as pessoas vão sendo transferidas, mudadas, cai o diretor... Como a gente pode pensar o IBOPE funcionando se a cada seis meses mudasse 80% do seu quadro de funcionários? Isso é impensável, isso não acontece! Mas acontece na escola pública regularmente! Então, a gente que está também trabalhando os aspectos pedagógicos vê cada vez mais a necessidade de pensar quais são as condições ou quais são as políticas educacionais necessárias para que as experiências pedagógicas possam florescer e dialogar e aparecer também como resultados mais amplos de sucesso tanto dos alunos como do próprio sistema educacional como um todo.
Acho que esse é o grande desafio: estabelecer mais diálogos porque eu também não acredito que a educação vá melhorar apenas assim, com essa visão abstrata dos economistas (nada contra os economistas, é claro!), mas não basta achar as melhores soluções do ponto de vista econômico! Este aspecto deve ser considerado, mas sempre em diálogo com as pessoas que, de fato, estão fazendo a educação e estão enfrentando os problemas.
Uma coisa que a gente tem cada vez mais se empenhado é em convencer essas pessoas que estão no dia-a-dia da escola a se envolverem na questão da política educacional, ver como a política educacional afeta o seu dia-a-dia, impede ou dinamiza as suas possibilidades de trabalho.
Este é um caminho e eu fico muito feliz quando a gente tem uma oportunidade como hoje de poder estar numa mesma sala discutindo com o senador da república, com uma secretária de educação, inclusive representando outros secretários de educação como a Pilar, ONGs, institutos empresariais, professores e alunos: é justamente deste diálogo, desta capacidade de trocar as perspectivas, que a gente pode, de fato, realizar este desafio grande que é melhorar a educação do nosso país.
Muito obrigada!
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Maria da Conceição Fonseca Coordenadora do Pólo de Minas Gerais
 Bom dia a todos! Eu vou fazer uma fala um pouco diferente das minhas colegas, visto que elas já passaram pelas aprendizagens do processo e eu vou então, na minha fala, tematizar um pouco a pesquisa de opinião como objeto. Quando o núcleo de Educação de Jovens e Adultos da Universidade Federal de Minas Gerais assumiu a coordenação do pólo Minas Gerais do NEPSO, o fez com o compromisso de - como uma instituição universitária que há 20 anos desenvolve um programa de ensino, pesquisa e extensão na educação de jovens e adultos - investigar as possibilidades e também limites pedagógicos desta proposta, que convida alunas e alunos (no nosso caso de educação de jovens e adultos) a realizar pesquisas de opinião.
A participação no NEPSO nos obrigou a trazer a própria produção de conhecimento como um tema necessário de discussão com os professores em formação - que são os professores desse programa - mas também são alunos. E, de fato, é responsabilidade da escola contribuir para que nossas alunas e nossos alunos tenham acesso a diferentes modos de produção de conhecimento. E a pesquisa de opinião é, sem dúvida, um destes modos, e que tem conquistado um especial destaque. Não só por sua presença freqüente nos meios de comunicação, mas também pelas influências que exerce nos critérios de tomada de decisão, de muitas das decisões, às quais nós estamos sujeitos, das quais participamos. Em especial sobre questões sobre as quais não há consenso ou não tem verdades, mas há um espectro amplo de opiniões de outros, opiniões do outro, dos outros, de nós mesmos e é preciso que a gente compreenda esse espectro para poder compreender a questão e, quem sabe, enfrentá-la.
Nesse sentido, é muito interessante que alunas e alunos: adolescentes, crianças, jovens e adultos que devem ter acesso a diversos modos de produção de conhecimento tenham acesso privilegiado a este que é a pesquisa de opinião, executando-as diretamente. Enquanto participam desde a concepção da pesquisa, da temática, da constituição dos instrumentos, da aplicação desses instrumentos, da tabulação, dos modos de organizar os resultados, da divulgação desses resultados, quer dizer, todo esse processo que envolve a elaboração e a execução e depois a divulgação da pesquisa de opinião, os ajudará a compreender melhor as pesquisas de opinião, as suas descobertas, as suas armadilhas, constituindo assim um leitor mais crítico da diversidade de resultados da pesquisa de opinião, às quais estamos expostos, mas também constituindo-se como um novo investigador, um novo propositor de perguntas de uma maneira hábil, curiosa e também generosa para acolher o pensamento do outro.
Nesse sentido, acho que nós tivemos uma aprendizagem da pesquisa de opinião como um objeto de conhecimento e é responsabilidade da escola, como outros modos de produção de conhecimento também, mas é um modo de produção de conhecimento que é obrigação da escola contemplar.
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Nilda Stecanela Coordenadora do Pólo Rio Grande do Sul
Bom dia a todos!
Quero registrar que estou muito feliz por estar aqui e por falar em nome do Pólo Rio Grande do Sul, no qual atuo como coordenadora há seis anos! Nesta trajetória, podemos afirmar que tivemos muitas aprendizagens e, junto com elas, com certeza, muitos desafios. Toda vez que paramos, para refletir sobre nossas práticas observamos os avanços e nos colocamos níveis cada vez mais elevados de profundidade, no sentido de qualificar o desenvolvimento do NEPSO..
Para esta fala muito breve, elenquei quatro tópicos que ilustram experiências positivas que estão acontecendo nesses seis anos de trajetória. Inicialmente vou listá-los, mas, provavelmente, em função do tempo, desenvolva somente dois.
Um dos processos, eu acho que essa foi uma das marcas do Pólo Rio Grande do Sul, refere-se à sistematização de todo o processo: “registrar para refletir sobre o que se faz”. Este foi um estímulo muito presente na formação dos professores e das equipes que desenvolvem os projetos nas escolas. Investimos na transposição didática, de modo que os conceitos abordados nos encontros de formação transcendessem as questões teórico-práticas e chegassem ao espaço da sala de aula, no trabalho com os alunos, cativando-os para o desenvolvimento dos temas de pesquisa conforme seus interesses, tendo em vista o planejamento da disciplina ou área do conhecimento.
O segundo tópico refere-se a algo que estamos refletindo há pouco tempo e observando atentamente, ou seja, os temas de pesquisa que estão surgindo nas escolas refletem o início de um diálogo, de uma aproximação, entre as culturas da infância e da juventude e os conhecimentos escolares;
O terceiro tópico remete para um desafio que estamos nos colocando como forma de ultrapassar a conclusão de um projeto de pesquisa com todas as etapas que ele envolve, chegando à análise interpretação e conclusão. Percebemos que em algumas escolas há ações emergem dos dados levantados e geram desdobramentos, ações. Para além da pesquisa: a intervenção. Fica sinalizada aqui uma agenda de investigação para os formadores, no sentido de observar este movimento e de pautar o planejamento da formação com a intecionalidade de estimular este processo. Não basta levantar dados, é necessário analisá-los e interpretá-los para definir formas de mudar a realidade diagnosticada.
E o quarto e último tópico, refere-se às parcerias estabelecidas com o poder público. Iniciamos com três escolas, em três municípios e, aos poucos, o NEPSO foi seduzindo novos participantes, conquistando apoios do poder público e constituindo-se em projeto de extensão universitária, usufruindo de toda a sua infra-estrutura na formação dos professores e realização dos eventos de divulgação.
Retomando então, a questão do diálogo entre a escola e as culturas da infância e da juventude, temos observado que alguns temas são recorrentes - temas que, de certa forma, reproduzem as preocupações do mundo adulto, vinculados à cidadania, às questões ambientais, à questões de saúde, sexualidade, gravidez precoce, etc. No entanto, outros temas surgem e articulam-se mais especificamente aos modos de ser criança e aos modos de ser jovem, provocando o estabelecimento de um diálogo entre as culturas infantis e juvenis com os conhecimentos escolares.
Temos exemplos concretos de que é possível aprimorar a leitura, a escrita e a interpretação ou ainda compreender a história, a partir de uma pesquisa que levanta os comportamentos da população em relação, por exemplo, ao colecionismo ou aos consumos no mundo da moda. Assim, as cultras da infância e as cultura juvenis instigam a escola a perceber que há pessoas que “moram nos alunos”.
A partir desses temas vamos rompendo com um processo histórico, de “alunização” da infância e da juventude! Nós do mundo adulto, especialmente do meio educacional, estamos tão habituados a lidar com “alunos” que já não enxergamos, não conhecemos e pouco conseguimos dialogar com os jovens e suas culturas!
Em minhas andanças na formação de professores em escolas, no espaço da universidade e também como professora da escola pública na cidade de Caxias do Sul e região, tenho ouvido muitas queixas dos professores, uma mal estar docente toma conta das narrativas quando oportunizamos a palavra aos que estão nas salas de aula, especialmente da escola pública: “os alunos não têm mais interesse na escola; os pais não acompanham o processo educacional dos seus filhos; não há o que mobilize e motive o aluno a participar”.
O NEPSO tem demonstrado, em sua história, que é possível sim romper com as barreiras entre dois mundos: o mundo da escola e o mundo das culturas da infância e da juventude. Através do NEPSO, não é somente o interesse e motivação do aluno que conseguimos despertar. Com o NEPSO, muitos professores afirmam que conseguiram encontrar significação para sua prática, resgatando ou construindo um outro jeito de fazer a gestão de sus aulas.
Meu tempo acabou e eu paro por aqui, passando a palavra para meus colegas.
Obrigada!
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Oscar García Coordenador do Pólo Argentina
 Bom dia para todos! É um prazer muito grande poder compartilhar com todos vocês e também ter compartilhado os três dias de trabalho no Congresso IBOPE UNESCO. Minha função é a de coordenar tecnicamente a ONG Seguir Creciendo e o desenvolvimento do Pólo Argentina de NEPSO. E quero ser muito breve também - antes de ir ao ponto específico de nossas aprendizagens durante estes anos - não deixando de dizer que se neste momento o NEPSO tem uma presença crescente na América Latina, isto se deu pela visão de Fabio Montenegro, que, no caso da Argentina nos convidou a concretizar a primeira experiência piloto do NEPSO fora do Brasil.
Naquele momento, ainda no início de 2004, seguramente Fabio tinha em uma visão de expansão Latino-americana do NEPSO que possivelmente superou-se a si mesma.
Vamos falar sobre o que aprendemos. Aprendemos muitas coisas nesses dois anos e meio, porém vamos tratar de resumir em quatro eixos de aprendizagem. O primeiro é da necessidade de uma “apropriação cultural” do programa NEPSO, pois levar um programa de educação de um país a outro é uma tarefa que não é nada fácil.
Além da adaptação de linguagem, são necessárias adaptações culturais, sociais inclusive. Tivemos que traduzir os materiais, tivemos que buscar o melhor nome possível para poder conservar a sigla NEPSO, que, nos países hispânicos chama-se: Nuestra Escuela Pregunta Su Opinión (Nossa Escola Pergunta Sua Opinião), que embora deixe de lado talvez o conceito de “pesquisa” (que em espanhol vocês sabem se diz “investigación”, impedindo o uso da sigla NEPSO), continua trazendo esse elemento de “pergunta”, de curiosidade de questionamento, que é parte fundamental de toda a pesquisa, de toda investigação.
Esta apropriação cultural é um processo que havia começado conosco e que está desabrochando nos demais paises irmãos onde o NEPSO também está se expandindo, como o caso do México, Chile e Colômbia e vai resultar, sem dúvida, em um produto, em um resultado que será absolutamente rico.
O que mais aprendemos nesses últimos anos? Aprendemos que não deveríamos fazer somente uma parceria com o IBOPE da Argentina, mas sim deveríamos ser “super” parceiros! Isto quer dizer que identificamos a necessidade de trabalhar permanentemente e cotidianamente ao lado do IBOPE da Argentina e assim o fazemos. Temos reuniões semanais nas quais vamos constatando os avanços do projeto e nos parece que essa é a maneira de conseguir que uma aposta tão importante como a do NEPSO possa fincar raízes num país diferente do Brasil.
E, nesse sentido, há uma coincidência total entre os objetivos pedagógicos e os objetivos estratégicos que temos tanto na Argentina como em outros países e isto deve ser destacado.
Em terceiro lugar, aprendemos que não podemos trabalhar sozinhos. Necessitamos de outros atores, devemos convocar, como disse Ana Lúcia no começo, as instituições da sociedade civil, necessitamos convocar as universidades! Com efeito, já estamos trabalhando com elas, mas precisamos ir além! Precisamos começar a convencer o setor público da Argentina para que se interesse pelo programa e, também, por que não pensar em buscar alguns parceiros em outras empresas e outras organizações que queiram apoiar e usar o NEPSO na Argentina. A idéia é não somente criarmos um projeto piloto, mas avançarmos muito mais.
Em quarto lugar, o que aprendemos também é que estamos às portas de um grande projeto educativo regional. NEPSO cria não somente projeto de sala de aula, mas também algo que talvez não seja tão visível, mas muito importante: está tecendo uma rede entre os docentes, entre os colegas, entre as pessoas e esta rede está expandindo-se por toda a América Latina. Se o NEPSO segue com este crescimento - ainda que não sejam todos os professores (pois não seria realista ou mesmo desejável esperá-lo!) - mas uma boa quantidade de docentes latino americanos estará em contato pessoal através e graças a NEPSO! Isto é de uma magnitude que é difícil de imaginar!
Para encerrar, gostaria também de ressaltar que a educação está mudando, porque o mundo está se tornando cada vez mais multi-cultural, cada vez mais intercultural.
Com efeito, a presença do NEPSO na Argentina é uma demonstração de como um produto pensado no Brasil, desenhado para o Brasil, desenvolvido no Brasil pode ser aplicado na Argentina e em outros paises e pode começar a influenciar – ainda que em pequena escala, pelo menos por enquanto – começar a influenciar a educação da Argentina.
Um produto pensando no Brasil influencia a educação Argentina, isso talvez está dando um sinal: a educação intercultural está chegando e este será um desafio para todos, que temos que seguir crescendo. Volta ao topo BENEFÍCIOS E APRENDIZAGEM DO PROGRAMA NEPSO
Maria da Conceição Bezerra da Silva Pólo Pernambuco
Bom dia a todos e a todas.
O Pólo Pernambuco está no projeto desde 2002. Nós iniciamos com quatro escolas. Hoje nós somos doze escolas e a proposta do Pólo é que possamos ter, até 2010, uma abrangência que chega até o sertão. Hoje, o agreste já se faz presente no Pólo Pernambuco com a participação de três escolas e há proposta de expansão de novos núcleos. Por quê?
Porque o NEPSO traz algo interessante que é dar o acesso ao conhecimento para o aluno. Ele tem o acesso ao conhecimento de uma forma prazerosa, como o senador fala, a paixão por fazer e essa paixão vem quando essa criança descobre que aquele conteúdo que está sendo trabalhado em sala de aula pode vir através de uma pesquisa de uma forma tão boa e essa facilidade que ele vai ter sendo o autor e o ator também do processo faz com que ele se interesse, que ele busque. Ele até descobre como lidar com situações que antes ele desconhecia. Ele se reconhece. Ele diz: “eu consigo fazer”. Isso faz com que a auto-estima desse aluno também surja, porque ele começa a acreditar que é capaz de desenvolver, de opinar, de participar e ser alguém que diz: “eu faço” e “eu participei da pesquisa, eu dei a idéia do tema, eu discuti sobre o tema”.
Então, a aprendizagem vai se dar na discussão do tema com os alunos. Depois, fazemos uma escolha do tema; toda a classe, toda a turma ou todo o grupo vai dizer que tema é mais interessante até mesmo se a turma achar que deve ter mais de um tema para discutir. Então, vai ser o aluno que vai estabelecer a pesquisa, vai estabelecer o tema, e essa aprendizagem acontece de forma muito significativa porque o aluno tem a possibilidade de mobilizar o conhecimento que já possui e descobrir que ele tem esse conhecimento. Ele vai constatar que tem o conhecimento e também vai confrontar com as novas informações, os saberes. E aquele resultado da pesquisa vai também ser discutido porque se respondeu A e não se respondeu B: muitas vezes o aluno já imagina que a resposta seria A e no entanto quando ele diz “por que foi B?”. Novamente trava-se uma discussão e mais uma vez o conhecimento está sendo estruturado.
O projeto traz, para nós, essa luz, essa forma diferente do aluno aprender e é uma forma prazerosa. Eu acredito que essa expansão que pensamos no Pólo Pernambuco até 2010 ao sertão vai trazer uma forma diferente de fazer escola. Nós pensamos que esse processo - que é um processo de envolvimento, de trabalho coletivo, do qual o aluno é o protagonista - vai causar um movimento que ocasiona uma efervescência na escola. É aquele barulho que a gente sabe que está organizado, é aquela coisa que alguém passa e diz: que confusão é essa, que indisciplina é essa? Mas que o professor que coordenada sabe que aquela indisciplina tem todo um viés, que aquela indisciplina sabe onde vai chegar e que aquela indisciplina vai trazer uma construção de conhecimento prazerosa para todos.
Nós, professores, como estamos aprendendo, como eu estou aprendendo! Eu tenho 24 anos de escola pública e só há 2 anos (faço 3 anos agora) conheço NEPSO e eu digo: “poxa, quanta coisa eu deixei de fazer boa para o meu aluno durante esses vinte e tantos anos, quanto eu neguei para eles!”. Mas eu agradeço a oportunidade de estar aqui, de conhecer o projeto e de todos os anos conhecer coisas novas, pessoas novas, experiências novas e dizer: “poxa, a cada dia como eu estou aprendendo e como está sendo maravilhoso ver o meu aluno feliz com o que está ocorrendo”. Volta ao topo
BENEFICIOS E APRENDIZAGENS
Nancy Cueto Professora representante do Pólo Chile
Boa tarde.
É um prazer estar aqui. Venho representando o povo do Chile, na ausência do professor Gullermo Williamson, o coordenador do Pólo NEPSO no Chile, vinculado à Universidad de La Frontera (UFRO).
Agradeço à Ação Educativa, à professora e coordenadora Marilse, que tem sido a gestora desta comunicação para conhecermos esta metodologia.
Quero contar-lhes que venho da região de Araucaniano sul do país, onde vive o povo indígena “mapuche”, junto ao qual estamos aplicando a metodologia NEPSO. Esta é mais uma demosntração da interculturalidade proporcionada pelo programa.
Quero destacar que esse é um desafio muito grande e eu como educadora de sala de aula, como professora, gostaria de chamar atenção para os seguintes benefícios desta metodologia:
É uma prática metodológica que permite acessar a realidade destas comunidades e através dela criar uma atitude de interculturalidade entre o povo indígena e o não indígena. Quando se aplica uma pesquisa de opinião, se favorece as relações interculturais através de respeito mútuo de um conhecer o outro. Elaboramos o questionário nas duas línguas, de modo que os alunos - mapuches e não mapuches têm a possibilidade de aprender de uma forma diferente através do projeto NEPSO. Essa metodologia permite ver do ponto de vista do outro e dizer que cada aluno pode re-valorizar sua própria cultura.
Outra aprendizagem que merece ser destacada é que os alunos e alunas aprendem a trabalhar em equipe, favorecendo o cumprimento das tarefas demonstrando que cumprem (...) protagônico (...) que está se relacionando com a comunidade.
Permite também que a escola possa se relacionar com o seu entorno, seu meio ambiente, sua comunidade para compreender os problemas que ali acontecem, conhecer a forma de vida em uma comunidade indígena.
O NEPSO reforça a auto-estima dos alunos, levando-os a descobrir suas potencialidades e a solução de situações problemáticas que vão sucedendo no avanço de cada nova etapa de NEPSO.
Podem chegar a conclusões particulares e gerais e compartilhá-las através da expressão oral e escrita.
Podem dar soluções ou propor soluções aos desafios que vão sucedendo em cada etapa desta metodologia NEPSO.
Estimula o “aprender fazendo”, e fazendo de uma melhor maneira que está baseado num dos 4 princípios que estão implantados no NEPSO.
É uma metodologia que se pode aplicar com foco de distintas disciplinas como a linguagem, ciências naturais, ciências sociais e artísticas.
Os alunos aprendem a subjetivar o mundo individual que muitas vezes crêem como único válido. E a objetividade por meio dessa pesquisa obviamente dá um novo sentido ao conhecimento, ao avaliar as convivências locais para poder atuar sobre a realidade. Este é mais um dos méritos desta metodologia: como, ao aplicar a pesquisa de opinião podemos nós, os professores, intervir junto àqueles que não estão dentro da escola.
Obrigada a todos por sua atenção. Quero ainda agradecer à empresa Time IBOPE Chile que tornou possível nossa aproximação ao NEPSO desde o ano de 2005 e sua aplicação prática em 2006.
Obrigada. Volta ao topo
DESAFIOS PARA O NEPSO
Maria Tereza Carneiro Coordenadora do Pólo NEPSO Paraná
Boa tarde a todos!
Eu queria agradecer, primeiro, a oportunidade de estar aqui representando a Universidade Federal do Paraná que é quem sedia o programa “Nossa Escola Pesquisa Sua Opinião” no Estado e, ao mesmo tempo, dizer que, para nós, tem sido um desafio bastante grande essa relação universidade/escola. Não por conta da escola, porque a escola está sempre muito aberta à intervenção da universidade, mas por conta da universidade no reconhecimento de que a pesquisa de opinião a famosa “doxa”, também é um tipo de conhecimento! Principalmente no aprendizado da matemática - que é o foco do programa NEPSO em nosso Estado. A gente sente que a pesquisa de opinião em aulas de matemática traz toda uma diferença em relação à possibilidade de ver que o conhecimento que as professoras e os alunos das escolas vão em busca durante todo um processo. Sente que o envolvimento não é só de um professor, mas é de toda uma escola. É algo que, aos poucos, vai se transformando em alguma coisa muito quantitativa! E o nosso desafio enorme é qualificar essa quantificação, porque a partir do momento que nós fizemos essa transformação e tabulamos esses dados, estamos buscando uma forma de olhar para esses dados e verificar o que eles significam.
No caso específico das 3 escolas que participam integralmente conosco (direção, coordenação pedagógica e professores envolvidos), temos buscado um conhecimento matemático que não se limita ao conhecimento de uma linguagem. O que buscamos é o significado de uma matemática que as pessoas utilizam na sua compreensão do mundo em que vivem. Para nós, o grande desafio está sendo o de expandir um conhecimento em busca da possibilidade de um tratamento da informação que leve as pessoas a efetivamente ler nos gráficos que elas encontram nos meios de comunicação e na sua forma de interação com a sociedade.
Para nós, do Pólo Paraná, essa é uma grande expectativa: difundir, divulgar e tornar uma rede de pesquisa efetiva que possa tornar o conhecimento matemático acessível para todos.
Obrigada! Volta ao topo
Veja também: Álbum de fotos
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