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Sábado, 31 / 07 / 2010
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  congresso / v congresso - 2006 / encerramento 
 
  Encerramento - 29/11/2006
 

Abertura

  • Carlos Augusto Montenegro - Presidente do Grupo IBOPE
  • Tânia de Falco - Coordenadora de Projetos da UNESCO
  • Cristóvam Buarque - Senador
  • Milú Villela – Representante do Comitê Executivo do Compromisso Todos pela Educação

    ***
    Apresentação de pesquisas

    Alunos do Ensino Fundamental I
    Alunos do Ensino Médio
    Alunos da Educação de Jovens e Adultos
    ***



    Encerramento

  • Paulo Roberto Pereira da Silva - Dirigente de Ensino da Regional Leste 1-SP;
  • Dagmar Silva Pinto de Castro -Coordenadora da Cátedra Celso Daniel de Gestão de Cidades da Faculdade Metodista;
  • Regina Scarpa - Coordenadora Pedagógica da Fundação Vitor Civita;
  • Rogério Cajado - Superintendente do Grupo IBOPE.


    APRESENTAÇÃO DO PROGRAMA NEPSO

    Carlos Augusto Montenegro
    Presidente do Grupo IBOPE

    É um prazer estar com vocês aqui. É uma satisfação muito grande poder falar no encerramento do V Congresso IBOPE UNESCO. Este é um Congresso muito especial para nós. Como todos devem saber, perdemos esse ano o nosso incentivador, o nosso criador, quem deu muita força ao Instituto Paulo Montenegro que foi o Fabio Montenegro. Mas a vida é assim. A Ana Lúcia, com o seu espírito e seu amor, sempre adorou a nossa idéia em relação ao Instituto Paulo Montenegro e tenho certeza de que vai continuar conduzindo muito bem. É uma satisfação ter todos aqui, mas não podia deixar de fazer uma menção especial ao nosso grande Senador Cristóvam Buarque. Parabéns pela sua campanha, parabéns pela sua luta pela educação. Aqui no IBOPE essa sua idéia sempre deu ibope, tanto é que foi uma unanimidade nossa decisão de investir nesta área. Realmente, eu acho que é a saída e o futuro do Brasil. Então, eu fiz questão de estar presente hoje, em homenagem a todos vocês que participam já há algum tempo desse Congresso, em homenagem ao Fabio, à Ana Lucia e em homenagem à presença do Senador Cristóvam Buarque. Digo isto de coração.

    É então com muito entusiasmo que em nome do Grupo IBOPE, dou as boas vindas a todos vocês a essa V Edição do Congresso IBOPE UNESCO em sua sessão de encerramento.

    Durante os últimos três dias, professores, alunos, gestores escolares, representantes de associações da sociedade civil e outros especialistas da área de educação, vindos de todos os cantos do Brasil e de países da América Latina estiveram reunidos para fazer um balanço dos seis anos de aplicação da metodologia Nossa Escola Pesquisa Sua Opinião. Esta é uma das ações promovidas pelo Instituto Paulo Montenegro em parceria com a Ação Educativa.

    Pelas primeiras informações que recebi, foram dias de trabalho intenso e muito rico, repletos de valiosas contribuições que permitirão reforçar ainda mais o compromisso do IBOPE com a educação e com todos aqueles que dela participam.

    Quando a Família Montenegro e as empresas do Grupo IBOPE decidiram, no ano 2000, concentrar suas ações sociais na criação de um Instituto com foco na educação, não imaginavam chegar tão longe em tão pouco tempo. O avanço refletido nos três dias de Congresso somados à presença agora de representantes de entidades empresariais e do setor público confirmam que estamos no caminho certo. Responsabilidade corporativa e educação é realmente uma parceria que dá ibope.

    Quero também registrar a presença da Milú Villela, sentada ao lado do Senador, e dizer o seguinte: apesar da correria estou muito feliz! Muito obrigado a todos vocês!
     

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    Tânia de Falco
    Coordenadora de Projetos da UNESCO – São Paulo

    Eu sou oficial de projetos da UNESCO aqui em São Paulo, mas quem acompanha o programa Nossa Escola Pesquisa Sua Opinião efetivamente desde o início é o Sr. Célio da Cunha. Infelizmente, ele não pôde vir devido a compromissos em Brasília, mas me pediu para ler umas breves palavras em seu nome:

    “Lamentavelmente, não foi possível comparecer ao V Congresso IBOPE UNESCO, que aborda um tema da mais alta importância: o da responsabilidade corporativa associada à educação. A coincidência com outro evento UNESCO em Brasília - a reunião nacional das cátedras UNESCO – tornou inviável minha presença”.

    Quero aproveitar essa oportunidade para reconhecer publicamente o significado que teve para a UNESCO a figura incomparável de Fabio Montenegro que, durante vários anos, liderou com ética, discernimento e competência o Congresso IBOPE UNESCO. Fabio nos deixou saudades que aumentam a cada dia que passa. Todavia, também deixou como legado uma experiência - o programa Nossa Escola Pesquisa Sua Opinião - que hoje já reconhecido até no exterior. Estou certo de que o Instituto, agora sobre a liderança de Ana Lima, estará dando continuidade a esse projeto inovador que tem, entre outros, o objetivo de ampliar o horizonte pedagógico e social de nossas escolas e de seus principais atores, que são os alunos e professores.

    Nossa Escola Pesquisa Sua Opinião se configura como um projeto para a escola do século XXI, tem a lucidez de ver aprendizagem como um processo amplo, criando oportunidade de iniciação às atividades de pesquisa e do pensamento organizado, possibilitando que alunos e professores conheçam seu meio e debatam seus desafios.

    Por último, quero cumprimentar o IBOPE, na figura do seu Presidente Carlos Augusto Montenegro, pelo exemplo de responsabilidade corporativa, criando e mantendo o Instituto Paulo Montenegro. A ética da responsabilidade se destaca como um dos principais valores do nosso tempo para a construção de um cenário mais promissor. Obrigado”.


    Essas foram as breves palavras que ele me pediu para passar para vocês. Desejo a todos um bom congresso.

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    Cristóvam Buarque
    Senador

    Em primeiro lugar, um bom dia a cada uma e a cada um de vocês. Meus cumprimentos aos organizadores, especialmente ao Carlos Augusto Montenegro e a Milú Villela, essa grande batalhadora pela educação no Brasil. Dizer da minha satisfação de estar em um evento em que se casa ao mesmo tempo atividade empresarial - e especialmente a pesquisa - com a educação. Dou os parabéns ao Instituto Paulo Montenegro por isso.

    Eu quero provocar vocês, nos 20 minutos que tenho, com três perguntas. Eu queria que os senhores levassem para casa, mas que eu vou tentar dar a minha visão.

      * Primeiro, por que Brasil é tão atrasado em educação? Estava escrito há pouco: defasagem. Por que temos essa defasagem? Dentro do Brasil, entre classes, e fora, na comparação do Brasil com o resto do mundo. Excluindo os países muito pobres, como os da África, nós somos piores que quase todos os países emergentes, para não falar dos desenvolvidos. A primeira pergunta é, portanto: por que esse atraso?

      * A segunda é: por que é importante dar um salto na educação?

      * E, em terceiro: como fazer isso?

    Eu sei que vinte minutos podem ser poucos, mas vou tentar.

    Por que o Brasil é tão atrasado?

    São cinco as razões:

    1. A primeira é a cultural. Nós todos neste país fazemos parte de um povo que, por alguma razão do passado, não punha a educação como valor fundamental. Mesmo aqueles que investem na educação de seus filhos em geral investem para que ele tenha um salário melhor não para que ele seja mais educado. Por isso que, quando o menino chega ao final do segundo grau (o pai pagou seus mil reais, às vezes, por mês), é excelente aluno e diz: “eu quero ser filósofo”, o pai treme como se tivesse feito um péssimo investimento. Ninguém é mais bem educado do que um filósofo. Mas as pessoas não querem filosofia, não querem educação. A gente quer um salário. É cultural no Brasil.

    2. Segundo, por razões políticas. O Brasil é um país que resolve o problema da sua casta superior e abandona as massas. Nesse caso, não é só a educação. É educação, saúde, transporte... Educação é mais um item. Por isso que a escola pública era muito boa no passado: porque era só para poucos. O Colégio Pedro II, que até hoje é uma referência, foi um colégio criado por Dom Pedro II para servir à aristocracia, era excelência. Aliás, continua sendo. Agora, quando o povo começou a vir para a cidade e exigir escola para todos, o que é que se fez no Brasil? Abandonou a educação para os municípios. Segurou para o Governo Federal as universidades, as escolas técnicas, que são boas, as nossas federais. Os municípios são bons para administrar, mas eles não têm condições de levar adiante um bom projeto educacional porque eles são desiguais no Brasil. Temos municípios com R$ 20 mil de renda per capta ao ano e outros com R$ 500. É impossível que ambos tenham um padrão educacional equivalente.

    3. A terceira razão é de ordem financeira. Nós gastamos tanto dinheiro para fazer essa maravilhosa infra-estrutura econômica: hidrelétricas, aeroportos, portos etc., que agora temos que pagar a dívida. E o governo fica sem dinheiro para investir em educação. Todos os governos.

    4. A quarta é a descontinuidade das políticas. De vez em quando surge um prefeito, um governador que quer fazer algo, ele começa. O próximo que assume, pára tudo.

    5. E a quinta é culpa nossa. Nós, professores, tantos anos abandonados, por tantos anos a educação renegada que a gente começou a ficar para baixo e corporativo. A gente começou a fazer greves para ter salários maiores. A greve prejudica a educação, obviamente. A gente começou a não dar mais muita atenção! Uma pesquisa da Universidade de Brasília diz que 40% dos professores do Brasil “desistiram”. Esse é o verbo que eles usam. Ou seja, está aí como uma atividade qualquer, sem a motivação maior de transformar esse país. Os engenheiros acham que estão fazendo um país! Os professores não acham que estamos fazendo um país... E a gente está sim fazendo um país!

    A segunda pergunta é: mas por que mudar isso?

    Eu acho que tem que se perguntar por que a educação é importante. Se a gente não entender isto de forma clara, não vai ser capaz de “vender a idéia” para os outros!

    Vejam bem: o Brasil hoje é um país cercado por dois muros. Nós não vamos avançar, nós não vamos sair de onde estamos por causa de dois muros. Um, o muro que separa o Brasil rico do Brasil pobre. E o outro, o muro que separa o Brasil dos países avançados.

    Esses dois muros não serão derrubados pelo crescimento econômico. Por mais que a economia cresça, a gente vai continuar com esse muro interno da desigualdade porque já se demonstrou que crescimento econômico não distribui riqueza e já se provou também que a simples distribuição de renda não tira a pessoa da pobreza.

    Só há uma maneira de você derrubar esse muro interno da desigualdade: é garantir que todos no país, os de dentro e os de fora, terão oportunidades iguais.

    Ao nascer, nenhuma criança desse país deve ter menos oportunidade que outra. Alguns vão ter mais sucesso por causa de talento, por causa de persistência, mas não por causa da chance que a gente daria a essa criança. É mais ou menos como no futebol. No futebol pouquíssimas crianças são excluídas. Apenas as que passam fome realmente desde pequenas é que não vão ser jogadores.

    Na grande maioria dos casos, desde pequeno, o menino brinca com a bola. Alguns têm talento, mas não vão em frente porque não tem persistência. Quando chega no segundo grau vão para a universidade e abandonam o futebol. É por isso que tem mais jogador pobre do que rico: porque os ricos vão estudar, mesmo os bons jogadores. Além disso, o número de ricos é menor do que o número de pobres. Outros são persistentes e talentosos e viram os grandes craques.

    O que acontece na educação? A bola não é igual para todos na educação. Há escolas boas e escolas ruins. Tem menino que não vê livro até chegar à adolescência e computador tem alguns que viram de longe, não tocaram em um.

    Se todo menino nesse país tivesse um computador como todo menino tem acesso a uma bola, a gente começava a ter prêmio Nobel e não só craque de futebol.

    Por que o Brasil tem alguns grandes craques (e isso o Montenegro como botafoguense como eu entende melhor que nós todos, por ser um dirigente do esporte) Por que o Brasil tem grandes craques? Aliás, mais do que isto: uma boa parte dos craques de futebol é brasileira. Mas não temos nenhum prêmio Nobel! Nenhum! E quando tivermos vai ser da Paz, provavelmente, como já tivemos candidatos.

    Aliás, nunca tivemos um candidato a Nobel salvo da Paz. Mas, ao prêmio Nobel de Ciência, não tivemos nem ao menos candidatos... Porque não se distribui para todos a chance! Porque se a chance fosse distribuída entre 165 milhões de brasileiros haveria alguns “geniozinhos”, como a gente tem alguns craques. Só que, no Brasil, a chance de ter a educação para vir a ser um prêmio Nobel é restrita. Então, a probabilidade de ter grandes gênios é menor.

    Todo mundo fala hoje que é preciso aumentar as vagas nas universidades, mas aumentar as vagas na universidade para o mesmo número de crianças terminando o ensino médio não vai dar uma grande qualidade à universidade. Porque no Brasil, para entrar na universidade, a gente escolhe entre um número muito restrito: apenas 18% das crianças terminam o segundo grau em qualidade de disputar o vestibular! São 33% os que terminam o segundo grau. Já foram eliminados 67%! E desses 33%, só 18% tem condições de disputar uma vaga no ensino superior. Então, a gente jogou fora 82% dos nossos craques intelectuais.

    Eu não estou propondo que quem não terminou o segundo grau faça vestibular. Não! Eu estou propondo é que todo mundo termine o segundo grau. Enquanto não houver isso, o muro da desigualdade vai continuar.

    É claro que depois vai continuar uma certa desigualdade, que não faz mal nenhum. Tem que acabar com essa idéia de que todo mundo tem que ser igual, na mesma renda, no mesmo cargo. Não! Todo mundo tem que ter a mesma oportunidade. E o talento e a persistência fazem uns subirem mais e outros menos, mas ninguém fica para trás.

    Essa idéia de ficar para trás - eu queria chamar atenção sobre isto - esse é um slogan que pertence (e às vezes eu até fico encabulado de dizer!), a esse presidente Bush. Vejam bem, esse Bush, que faz guerra e tudo, tem um slogan do ponto de vista educacional muito bom. “Nenhuma criança é deixada para trás na América”. É claro, quando ele fala América ele se refere só à dele. Esse é um slogan que ele está tentando aplicar na prática, não só da boca para fora. O Bush em educação não está indo mal. Está indo mal é nessas outras coisas.

    Só quando a gente disser: nenhuma criança fica para trás no Brasil é que a gente vai poder dizer que construímos uma sociedade de oportunidades iguais. Aí derruba-se o muro da desigualdade.

    Só quando a gente tiver isso, começa a derrubar o muro do atraso. Por quê? Porque até um tempo atrás, para você ter, por exemplo, uma economia forte, uma civilização rica, bastava você ter terra fértil. Lá no meu Pernambuco, nos anos 1600, Olinda era a cidade mais rica - alguns dizem - do planeta, com essa mania de grandeza que nós pernambucanos temos. Por quê? Porque tinha terra fértil para a cana. Depois, a riqueza foi para Minas porque tinha ouro. Bastava você cavar que tirava o ouro e era rico. Depois veio aqui para São Paulo, bastava trazer indústrias de fora, montar os automóveis e outros equipamentos e o Estado ficou rico. Acabou esse tempo. Nem é mais a terra que define a riqueza, nem é mais o capital financeiro, o dinheiro, que define a riqueza. O que vai construir a riqueza é o capital conhecimento.

    Um país que não tenha terra, nem ouro, nem capital financeiro, mas que tenha capital conhecimento quebra o atraso. O que não tiver, vai ficar atrasado. Porque de tudo que a gente consome hoje, o valor não está em sua produção. Está na pesquisa que foi feita anteriormente. Qualquer coisa! Essa aqui [mostrou sua caneta esferográfica], por exemplo, deve ter tido uma quantidade imensa de pesquisa até chegar a este desenho, para fazer com que não fique seca, como ficava quando eu era menino... Nem menino, já até mesmo adulto! Você começava a escrever e já não prestava.

    Tudo hoje é pesquisa. A pesquisa vem do conhecimento. E o conhecimento exige primeiro que seja para todos. Porque se não for para todos a gente está desprezando gênios em potencial.

    Alem disto, depois de garantirmos o ensino médio para todos, é necessário que haja uma universidade de qualidade, para os melhores. Não precisa ser para todos. É mania de brasileiro dizer que universidade tem que ser para todos! Essa mania tem uma explicação: é que no Brasil desde o império, quando a gente diz “para todos” estamos dizendo “para nós, os convidados”. Quando a gente vê na coluna social, “todos estavam lá”, todos quem? Os convidados, é claro! A classe média e alta brasileira. Nós somos os convidados, hoje, para a universidade.

    Vejam o nome, o ProUni [Programa Universidade para Todos, do Governo Federal], que eu até acho um bom projeto: ”para todos”. Mas não é para todos! É para todos que terminaram o segundo grau e passaram no vestibular. Para todos, seria concluir o ensino médio e os melhores entrarem na universidade. Isso sim.

    Mas tem que ter o ensino médio com qualidade, sem que a universidade precise perder esse tempo todo para recuperar estes meninos e meninas que estão entrando na universidade hoje despreparados e despreparadas. Agora, precisa também ter uma boa universidade. Isso não está acontecendo como deveria para atender às necessidades do século XXI.

    É clara a diferença das nossas universidades em relação às de fora. No caso das boas universidades a diferença é pequena. Muito menor do que no ensino básico. Mas com o tempo mesmo as universidades tendem a ficar para trás: não porque a gente seja inferior, mas porque as universidades brasileiras não têm sabido se adaptar à realidade do mundo de hoje. A universidade está desadaptada!

    Se a faculdade tivesse bem adaptada, não precisaria o Instituto Paulo Montenegro fazer esse evento! Seria a própria universidade a realizá-lo! A universidade está perdendo velocidade... Por exemplo, eu me formei em engenharia. Vou completar 40 anos de formado na próxima semana. O curso hoje dura os mesmos 5 anos que durava naquela época. A gente diz: por que pode mudar? Na minha época não tinha computador, não tinha nem calculadora eletrônica, as minhas provas duravam 6 horas, os cálculos eram feitos numa máquina manual para fazer as contas, que só fazia as 4 operações. Para o logaritmo usava-se uma régua de calculo, que hoje ninguém nem sabe mais o que é! Com o computador, não precisaríamos mais de 5 anos para um posto de engenharia civil, por exemplo. E, talvez, precise de mais de 5 anos para a mecatrônica, que também não existia no meu tempo.

    A universidade tem que ter dinâmica até para fechar cursos que ficam obsoletos. E para abrir novos! Ela não abre. Os cursos novos estão sendo abertos fora da universidade. Depois é que entram na universidade. Hoje, existe uma coisa que se chama universidade corporativa, como a do correio, a do Banco do Brasil. Por quê? Porque as pessoas não saem preparadas da universidade!

    Não dá mais, por exemplo - e aqui talvez alguns fiquem preocupados com o que vou dizer! - não dá mais para o diploma que a gente recebe servir a vida toda. Porque o conhecimento muda tão depressa que cinco anos depois que você se formou, você já está meio obsoleto. Por isso, eu acho que o diploma não vai ser mais eterno, que diploma vai ser provisório feito comida, com prazo de validade. Você dá um carimbo no diploma como o que tem no leite, válido até tal data.

    Mas não precisa voltar para universidade! Esta é outra coisa que a universidade não descobriu. A universidade tem que ser permanente. Não vai ter mais ex-aluno. Todo mundo é aluno. Só vai poder dizer que é ex-aluno no túmulo, na lápide: “aqui jaz um ex-aluno”. Mas enquanto estiver vivo e ativo, claro, ele é aluno. Mas não precisa voltar: tem que ser à distância.

    Depois desses equipamentos, hoje, com essa teleinformática, não precisa mais você ir todo o tempo fazer um curso. Você pode fazer um curso melhor às vezes em casa ou no trabalho. Todo trabalho deverá ser uma escola! A casa vai virar uma escola! Vai ser uma escola do tamanho do Brasil ou a gente não vai ter uma boa universidade! E não vai derrubar o muro do atraso!

    Além disso, o país precisa ir para as áreas científica e tecnológica. Se ele não for, vai ficar para trás. Isso desde a escola primária até o último ano da universidade, depois a pesquisa.

    Vejam: o único produto que hoje de fato orgulha o Brasil são os aviões da Embraer. Esse é o exemplo do Brasil que derrubou o muro do atraso. Vocês sabem onde começaram a ser fabricados os aviões da Embraer? Não foi na fábrica de avião. Os aviões da Embraer começaram a ser fabricados numa escola de engenharia chamada ITA, Instituto Tecnológico da Aeronáutica. Se não fosse aquele instituto, não teríamos aviões! Pois mesmo que se montasse uma fábrica não haveria profissionais capazes de levá-la adiante.

    Recapitulando, havia dito no início que minha intenção era provocá-los com três perguntas: a primeira é: “por que a gente tem esse atraso educacional em relação a outros países e dentro do Brasil um atraso de um indivíduo para outro?”

    A segunda é “por que investir em educação”

    E a terceira que ainda resta abordar, é “como fazê-lo?” Como fazer para dar o salto?

    Primeiro: não vai ser em 5 anos, vai ser em 15, 20 anos. Quais são as primeiras coisas que nós brasileiros devemos fazer? O fundamental é admitir que a educação é importante.

    O salto cultural que é fundamental, a defesa de que a educação é uma prioridade. Fazer com educação o que a gente faz com as manias que o Brasil tem: futebol, cerveja, samba. Tudo que a gente tem mania, a gente faz bem. Temos que ter mania pela educação. Dada a mania, o que a gente faz de concreto?

    Eu tenho chamado de “federalizar” a educação de base. Mas preciso explicar o que é, porque a idéia de federalizar assusta muita gente. Federalizar não é centralizar. Não! A centralização eu sou contra. Aliás, eu sou tão descentralizador que até os que são municipalistas ficam contra. Eu sou tão descentralizador que eu acho que a gente deve ter escola pública de propriedade ou administrada pelos pais e professores. Sem nem o prefeito contratar os professores. Eu acho que a gente deve ter escola que seria considerada pública, apesar da propriedade não ser estatal. Então, não digam que eu não sou descentralizador.

    E o que é a federalização? É dizer que educação é tão importante que é uma preocupação nacional. Logo, é uma responsabilidade da nação brasileira e não da prefeitura, e não do governo estadual. Primeiro esse conceito: a preocupação ser nacional. Por quê?

    Porque o Brasil federalizou aquilo que interessa a ele, ou melhor, a suas elites. Mas não federalizou aquilo que interessa às massas. Por exemplo, aeroporto é federal, mas rodoviária é municipal. Universidade é federal, mas o ensino fundamental é municipal. Tem que ser algo de preocupação nacional. Compromisso nacional como o que um grupo de empresários, entre os quais a Milú Villela, está defendendo. O compromisso pela educação. A primeira coisa é que este compromisso trabalha com metas claras e objetivas.

    Porque a gente define metas quando começa a fazer uma Itaipu. As pessoas dizem: “vai ser concluída em tanto tempo - doze anos”. Mas sabia-se o dia. Ninguém disse: “Vamos fazer uma Itaipu” mas sim “Vamos concluir essa Itaipu”.

    A educação não tem metas. Em educação, vamos fazer. Por exemplo, analfabetismo. Eu defendo que a gente tenha um prazo para dizer que não tem mais analfabetismo no Brasil adulto. Não se deve aceitar. Acho que alfabetizar é um processo e não uma meta para cumprir.

    Então tem essa consciência nacional. E aí? Fazer o quê? Aí, deve-se definir três padrões mínimos para todas as 160 mil escolas no Brasil. Todas! Nenhuma estar abaixo desses padrões. Umas podem ser melhores do que outras, claro. Vai depender dos pais, dos professores.

    1. O primeiro padrão: salário e formação do professor. Vocês já repararam como as agências do Banco do Brasil são iguais e os funcionários ganham o mesmo salário em qualquer cidade do Brasil? Vocês sabem que o funcionário do Banco do Brasil, em qualquer agência, passou em um concurso nacional. Não passou no concurso municipal, não. Por que o funcionário do Banco do Brasil tem que passar em um concurso nacional e professor só no concurso municipal? Por que o salário de um professor é só municipal? A gente tem que dizer que tem um padrão mínimo – alto - para todos os professores do Brasil. E para ser professor no Brasil a gente tem que ter regras nacionais. Não pode deixar a critério de um prefeito exigir algo e outro prefeito exigir outra coisa. Então, estabelecer um padrão de salário e formação nacional.

    2. Segundo é um padrão de edificações e equipamentos. Hoje, se um prefeito quer inaugurar uma escola ele diz: “vou inaugurar amanhã”. Pega um prédio qualquer e diz: “isso é uma escola”. Não põe nem um computador, até porque não tem dinheiro. Nossa proposta é que seja necessário um “habite-se” federal para dizer: isso é uma escola. Hoje, qualquer pessoa pode dizer: “isso é uma escola”. Dizer que isso é uma escola, teria que seguir um padrão federal. Ninguém abre aeroporto numa cidade e pronto. Não! Tem critérios nacionais, tem regra, quase tudo tem regras nacionais. Escola não tem. Não tem nenhuma regra que diz que só é escola se tiver tantos computadores, tantos alunos por computador. Não tem. Tem que ter essa regra.

    3. O terceiro quadrante é o conteúdo. Hoje, se ensina o que se quer. Por isso, 54% das crianças brasileiras na quarta série não sabem ler. Não estou falando só do analfabeto funcional, não. É não saber ler mesmo! No máximo, sabe que B-O-L-A é bola, mas se você citar a frase inteira, já não dá. Aí, é analfabetismo. Porque o prefeito ensina a alfabetizar no ano que ele quiser, não há um padrão nacional. Tem que dizer: “menino no máximo aos oito anos tem que saber ler no Brasil inteiro”. Ser uma regra nacional. Tem que saber as seguintes coisas de geografia, de matemática até tal ano, tal ano, tal ano. O perfeito pode botar mais coisas locais, por exemplo da geografia local, mas não menos do que aquilo.

    Agora, isso, se não fizer outra coisa fica só no blá-blá-blá. Há uma coisa que pode levar os três padrões a virarem realidade: uma lei de responsabilidade educacional para todos os prefeitos e governadores do Brasil.

    A gente tem uma lei de responsabilidade fiscal. Todos os 5.561 prefeitos do Brasil têm que cumprir aquela lei federal. Mas não tem uma lei de responsabilidade educacional. O prefeito, neste país, que não pagar a dívida que o prefeito anterior contraiu com o banco, fica inelegível. Agora, aquele que deixa uma escola fechar continua candidato. E se elegendo.... Aliás, hoje pela manhã, o Presidente Lula disse que a maior lei do Brasil nos últimos anos foi a lei de responsabilidade fiscal. Ele só esqueceu de dizer que não foi no governo dele. Com todo respeito, eu acho que tem que fazer justiça. Foi antes. Foi no governo do Fernando Henrique. E foi contra a vontade, naquela época, do PT. Eu me lembro que eu briguei dentro do PT para que fosse aceita a lei de responsabilidade fiscal como um grande avanço. Eu já dizia que o Brasil só iria dar certo se ao lado da lei de responsabilidade fiscal tivesse a lei de responsabilidade educacional.

    O prefeito é obrigado a pagar as contas das dívidas no banco, mas ele deveria ser obrigado a pagar a dívida que é a que temos com a educação. É claro que não pode ser nos primeiros anos. Tem que ser um processo, tem que ser com metas. Mas ele tem que, no fim do ano, dizer: “eu cumpri a meta de alfabetização, eu cumpri a meta de menino na escola, eu cumpri a meta de horas de aula, eu cumpri a meta dos salários dos professores”.

    Três padrões: lei de responsabilidade, a outra coisa é dinheiro da União. Não dá para a gente colocar essa lei aqui só com o dinheiro dos prefeitos. Até porque ficaria desigual, vai ter prefeito que tem dinheiro, vai ter prefeito que não tem dinheiro. E não é muito o que se precisa! Só precisa hoje de R$ 7 bilhões por ano para a gente começar essa revolução. Parece muito, não é. Mas o Produto Nacional Bruto brasileiro, mesmo sem grandes crescimentos nos últimos anos, é de R$ 2 trilhões. Então, divida R$ 7 bilhões por R$ 2 trilhões. Você vai ver como é pouquinho. É 0,3%. Mas não vale comparar com o PIB [Produto Interno Bruto]. A gente tem que comparar com a receita do governo. A receita do governo vai chegar a quase R$ 800 bilhões. Então, divida R$ 7 bilhões por R$ 800 bilhões e dá menos de 1%. Não é muito!

    Os aumentos que tivemos, nós funcionários públicos, correspondem a R$ 10 bilhões este ano. Não estou dizendo que não se precise desse salário, desse aumento (embora alguns deveriam diminuir... Tem uns “caras” que ganham demais, nos três poderes...)

    Mas daria para, em vez de R$ 10 bi, dar R$ 5 bi. Só isto bastaria para viabilizar o recurso necessário inicialmente! Vai precisar mesmo de R$ 20 bi, mas daqui a quatro anos. Hoje, se você optar por mais de R$ 7 bi, vai desperdiçar dinheiro. Isso é algo que precisa ser dito: só dinheiro não resolve. Não sem metas!

    Se chover dinheiro no quintal da escola na primeira chuva vira lama. É preciso transformar dinheiro em lubrificante dos neurônios. E esse é um processo. Hoje não tem processo. Por exemplo, se você equipar todas as escolas com computadores, a maior parte de nós professores não saberemos usá-los. Vai ser um desperdício. Se a gente aumentar o salário dos professores sem melhorar a formação vai ser um desperdício. Então, não dá para colocar mais que isso. Não é muito dinheiro. Se a gente fizer isso, a gente começa a dar o salto, desde que se definam as metas e que haja uma lei de responsabilidade educacional para exigir que as metas sejam cumpridas. E o dinheiro federal.

    Para concluir, eu queria dizer que enquanto isso não acontece, não é feito, felizmente tem setor privado tentando fazer. O setor privado, institutos, ONGs, não vão conseguir fazer a revolução, porque o Brasil é grande demais. São 40 milhões de alunos. Você vê a experiência do Instituto Ayrton Senna que está ajudando a mudar Pernambuco. Começou por lá. Fui visitar, mas não vai conseguir levar para o Brasil inteiro, não tem dinheiro. Eu falei R$ 7 bi. Quem é que vai ter R$ 7 bi a não ser o setor federal brasileiro? E para haver a revolução, tem que ser nacional. Mas enquanto isso não vem, felizmente, tem pessoas não apenas de boa vontade, mas pessoas que estão se envolvendo para contribuir com estes objetivos. O Compromisso assinado por um grupo de empresários, é uma maneira de influir na opinião pública.

    O trabalho do Instituto Paulo Montenegro é uma contribuição. E o Instituto Ayrton Senna, os Amigos da Escola. Há uma quantidade imensa de ONGs e de pessoas de boa vontade trabalhando para ajudar a tapar esse buraco que a gente tem. Não vão conseguir, mas vão dar a sua ajuda. Isso é muito importante.

    Eu acredito que a experiência que vocês têm aqui é o máximo, mas dificilmente, vai chegar aos 40 milhões de alunos. Embora, através da informática (se houvessem computadores) seria possível a gente dar cursos a distância.

    Mas felizmente existem estas iniciativas do setor empresarial. E eu fecho falando da responsabilidade social, que é de todos. Cada cidadão e cidadã aqui tem a responsabilidade política de pressionar o Brasil para fazer essa mudança. E cada um de nós pode fazer o seu pouquinho.

    Eu tenho feito palestras em empresas sobre o que aquela empresa pode fazer. Por exemplo, tem empresa que ainda tem analfabetos trabalhando. Não deixe ter analfabetos, mas não demitindo, ensinando a ler. Pague um adicional no dia que ele aprender a ler, que nenhum analfabeto vai ficar analfabeto.

    Quando eu fui governador eu comprava a primeira carta que o analfabeto escrevesse em sala de aula, quer dizer um ex-analfabeto. Faziam fila para estudar. É claro que a gente não pagava na hora que ele chegasse porque tem muito esperto que chegava ali, escrevia a carta e pegava os R$ 100. Tinha que ficar três meses assistindo às aulas sem faltar. Depois de três ou cinco, seis meses, eles diziam: “posso fazer a carta?”. Quando fizesse a gente pagava a ele. Chamava-se Bolsa Alfa.

    Dê incentivos ao funcionário cujo filho for bom aluno. A Fundação Victor Civita tem um programa para os melhores professores do Brasil. O empresário pode dar um incentivo ao seu funcionário que tiver um filho bom aluno.

    Lá nos supermercados de Brasília, na parte mais pobre, eu sugeri dar um desconto à mãe que trouxer a caderneta com as notas do filho. Não só você vai conseguir clientes, mas a mãe vai ficar orgulhosa de ter um desconto porque o filho estuda, vai cobrar mais do filho, você dá incentivos.

    Há muitas maneiras do setor privado colaborar. Não vai fazer a revolução, mas vai dar sua contribuição. E quando a revolução começar de fato aí já teremos dado um passo, graças a empresários e ONGs como o Instituto Paulo Montenegro, como esse encontro de empresários, como a Fundação Victor Civita, e tantos outros no Brasil. E também como cada um de nós, que em vez de estar fazendo outra coisa, está aqui, se reunindo para discutir esse assunto de como fazer uma revolução no Brasil pela educação.

    E eu concluo a vocês que, embora tenha outras coisas para fazermos, eu venho aqui porque eu não vejo nada melhor para fazer hoje. Dos anos que a gente tiver, o que é a vida a não ser essa luta? Eu venho aqui não só porque quero mudar o meu país. Eu venho aqui porque eu quero viver bem. Tem que ser como casamento. Para mim, hoje, essa luta é como se tivesse vivendo em lua-de-mel com uma mulher, uma namorada que está doente precisando ser ressuscitada, que é a educação brasileira. Mas não é porque a pessoa do nosso lado está doente que a gente ama menos.

    Então, como estou aqui porque gosto de fazer isso que eu falei para vocês, eu só posso concluir agradecendo a todos com um muito obrigado.

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    Milú Villela
    Representante do Comitê Executivo do Compromisso Todos pela Educação

    Queria cumprimentar nosso querido senador Cristóvam Buarque e agradecer seus comentários sobre o Compromisso Todos pela Educação, lembrando apenas que esta não é apenas uma iniciativa dos empresários, mas inclui também o MEC, o CONSED, a UNDIME, representantes da sociedade civil e ONGs. É um movimento amplo no Brasil.

    Queria cumprimentar também o Presidente do Grupo IBOPE, Carlos Augusto Montenegro, e cumprimentar a nossa querida amiga Maria do Pilar [Lacerda Almeida], Presidente da UNDIME e a assessora da UNESCO no Brasil, Tânia de Falco, Ana Lucia, diretora executiva do Instituto Paulo Montenegro, e amigos e amigas. É um prazer e uma honra participarmos hoje desse V Congresso IBOPE UNESCO - a pesquisa que ensina.

    Queria lembrar também que o Senador introduziu a prática do jogo de xadrez nas escolas brasileiras. Esta prática alavancou muito o ensino, o raciocínio. Uma excelente iniciativa que começou em oito Estados e hoje já está em 27, em várias escolas. É uma ferramenta importante para estimular o raciocínio dos jovens brasileiros.

    Em primeiro lugar, nós queríamos, representando aqui o comitê executivo do Compromisso Todos pela Educação, dizer que temos algo em comum com o IBOPE e a UNESCO: a convicção firme de que sem educação de qualidade para todos, o país jamais será competitivo, jamais oferecerá oportunidades iguais de crescimento para todos os seus cidadãos, jamais terá um desenvolvimento com justiça e com equidade. E, segundo, porque temos em comum nós, do Todos pela Educação, e vocês aqui, a mesma inspiração política e carismática do nosso senador Cristóvam Buarque.

    Ficamos felizes pelo convite, tanto mais porque isso nos dá a oportunidade de falar sobre esse Compromisso importante de todos pela educação. E convocar cada um de vocês a integrarem esse grande movimento da sociedade civil e dos governos pela melhoria da educação. Não tenho dúvida nenhuma que a hora da educação é agora. Ou o Brasil transforma educação básica de qualidade na sua mais importante política pública, melhorando as condições de acesso, a permanência e sucesso de seus 55 milhões de alunos ou comprometerá irremediavelmente o futuro das novas gerações e, é claro, o próprio desenvolvimento social e econômico.

    Isso tem que acontecer na prática e não apenas no discurso. Mesmo porque, não se muda um quadro tão complexo como o da educação brasileira apenas com boas intenções, palavras, discursos. Hoje, temos quase 95% dos jovens e crianças matriculados nas 180 mil escolas públicas existentes no país. O fato incontestável, porém, é que não temos a escola de que precisamos. Ou, melhor dizendo, a que merecemos!

    Há menos escolas do que o necessário, menos professores preparados, menos infra-estrutura e menos qualidade de ensino do que seria desejado para avançarmos como a nação que sonhamos.

    O nosso grande desafio é hoje o da qualidade. Nenhum de nós aqui, tenho certeza, admitiria uma situação como a que estamos vivendo para os nossos filhos, sobrinhos, parentes. Vivemos uma crise muito grande de qualidade na educação brasileira.

    E, estranhamente, essa crise não é percebida como algo grave pela população brasileira. Na semana passada, o Compromisso Todos pela Educação e o IBOPE apresentaram uma pesquisa muito interessante, citada inclusive no Jornal Nacional. Nela, a educação aparece apenas na sétima posição entre as preocupações dos brasileiros, atrás da saúde, do emprego, da fome, da miséria, da corrupção, da segurança pública e das drogas.

    O mesmo estudo revela que os pais participam pouco da educação dos filhos. Tanto o nível de consciência sobre a prioridade que deve ser dada à educação quanto a importância da participação e cobrança crescem entre as pessoas mais escolarizadas.

    Mas o fato grave é que quem mais deveria se preocupar com a qualidade da educação, parece satisfeito com o que tem e olha apenas para o presente. Não conseguem enxergar o impacto futuro de uma educação sem qualidade.

    Sem educação básica de qualidade nenhum país se desenvolve com justiça social e equidade. Nenhum país pode, de fato, ser considerado independente. Foi justamente pensando nisso, que nós decidimos nos envolver profunda e apaixonadamente com o Compromisso Todos pela Educação.

    O nome do projeto diz tudo o que ele pretende ser nesse momento histórico do país: a reunião de lideranças da sociedade civil, empresas, MEC, CONSED, UNDIME e ONGs em torno da idéia de assegurar educação básica de qualidade para todas as crianças e jovens.

    Não se trata de mais um projeto ligado a esta ou aquela empresa ou fundação, nem de uma campanha de comunicação apenas para chamar a atenção para os problemas, mas sim de uma ação prevista para acontecer num horizonte de 16 anos, até 2022, ano do bicentenário da Independência do Brasil. É lógico que nós todos sonhamos em alcançar isso bem antes, mas nós temos essa meta.

    Uma ação da sociedade civil não ligada a correntes políticas, mas sim a políticas públicas abertas à participação de todos os brasileiros que compartilham da mesma crença, a de que a qualidade da escola só vai melhorar no dia em que todos os brasileiros acharem que a educação é tão ou mais importante do que o controle das metas inflacionárias, do que o futebol, do que o carnaval.

    O nosso desafio é muito grande e urgente. Mobilizar pais, mobilizar mães, educadores, conselhos tutelares, promotores, empresas, comunicadores e outros públicos num grande esforço para valorizar a educação, saber avaliar a sua qualidade e cobrar essa qualidade das escolas de suas comunidades.

    Sabemos que a travessia é longa e difícil, mas não nos faltam energia, entusiasmo e metas para transformarmos a educação numa grande paixão.

    Estabelecemos cinco metas claras e mensuráveis para 2022:

      * Todo brasileiro de 4 a 17 anos deve estar na escola.

      * Todo brasileiro até 8 anos deve saber ler, escrever um texto simples de até dez linhas.

      * Toda criança e jovem deve aprender o que é necessário em cada ciclo.

      * Todo jovem deve completar o ensino fundamental até 16 anos e o ensino médio até 19 anos.

      * O investimento público na educação deve chegar até 5% do PIB [Produto Interno Bruto] até 2011.

    O cumprimento efetivo dessas metas, que não são apenas do Compromisso, mas de um país que se quer, de fato, justo, desenvolvido e respeitado, é a única garantia de podermos comemorar, numa situação melhor, o bicentenário da Independência, independentes de fato, preparados para os desafios desse novo século de globalização.

    E nós queríamos aqui convidar todos vocês para realmente participar conosco dessa travessia por uma educação de qualidade.

    Muito obrigada!

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    APRESENTAÇÃO DE PESQUISAS

    Grupo da 3ª série do ensino fundamental da Escola Municipal Dona Esperança de Oliveira Saavedra, do município de Mauá, sob a coordenação da professora Ana Lúcia.

    Pesquisa: Candidato ao problema brasileiro

    Escolha do tema:
    Lista dos problemas brasileiros, produção de texto, leitura de revistas e jornais, montagem de um jornal mural, tabulação e análise dos resultados e gráfico.

    Resultado:
    O maior problema brasileiro é a violência. As pessoas acreditam que votando podem melhorar o país, porém não associam o seu candidato ao problema mais grave.

    Planos de ação:

    Divulgar com familiares e alunos o resultado da pesquisa.

    Agora para encerrar, vamos ouvir uma poesia:
    Eles mentem, mentem descaradamente.
    Mentiram-me, mentiram-me.
    Ontem e hoje mentem novamente.
    Mentem de maneira tão pungente que acham que mentem
    sinceramente.
    Mentem sobre tudo, Impunemente.
    Não mentem tristes. Alegremente, mentem.
    Mentem tão nacionalmente, que acham que mentindo história afora vão enganar a morte eternamente.
    Sei que a verdade é difícil e para alguns é cara e escura.
    Mas não se chega à verdade pela mentira.
    Nem a democracia pela ditadura.
    E assim cada qual.
    Mente industrial? Mente.
    Mente partidária? Mente.
    Mente incivil? Mente.
    Mente tropical? Mente.
    Mente continente? Mente.
    Mente hereditária? Mente.
    Mente, mente, mente.
    E de tanto mentir tão bravamente,
    Contaram um país de mentiras diariamente.

    Palavra: Professora Ana Lúcia
    Eu queria que vocês cada um se apresentasse e falasse o nome e vejam se alguém quer fazer alguma pergunta também.

    Meu nome é Felipe.
    Meu nome é Mariele.
    Meu nome é Giovani.
    O meu é Natalia.

  • Pergunta: Senador Cristóvam Buarque Duas perguntas, primeiro, quem é o autor da poesia? Segundo, como é que vocês escolheram os 50 que foram pesquisados?

  • Resposta: Foi na família, na escola, e com os amigos na escola, com os pais dos alunos e na rua.

  • Pergunta O que foi mais difícil fazer?

  • Resposta Estar aqui na frente.

  • Pergunta E o mais gostoso?

  • Resposta Fazer a tabulação.

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    APRESENTAÇÃO DE PESQUISAS

    Alunos do 3º ano do ensino médio da Escola Estadual Moacyr Campos, localizada na zona leste de São Paulo, coordenados pela professora Regina Oshiro.



    Palavra: Professora Regina Oshiro

    Bom dia!
    Eu trabalho na escola Moacyr Campos. É uma escola estadual, da zona leste da capital, na Vila Antonieta. Estou no projeto desde 2001 e eu só quero dizer que eu aderi a esse projeto por acreditar que a pesquisa de opinião pode ser uma ferramenta para subsidiar a minha prática pedagógica, porque eu acredito que buscando alternativas de novas práticas pedagógicas, a gente possa pensar em melhorar a escola, pensar em melhorar o mundo. É com esse intuito que há 20 anos eu leciono em escola pública. Mais do que eu, os meus alunos podem dizer o que foi desenvolvido durante esse tempo.

    Alunos:
    Nádia: Bom dia! Como já foi dito, nós somos alunos da Escola Estadual Professor Moacyr Campos, meu nome é Nadia.

    Célia.
    E o meu é Alberto.

    O tema da nossa pesquisa é:“Expectativa de vida dos jovens”.
    Entrevistamos alunos do 3º ano do ensino médio dos períodos manhã e noite.

    Tivemos como professoras orientadoras, a professora Regina Oshiro e a professora Fátima Rosa.

    Foram 80 entrevistados, sendo que cerca de 55% desses jovens já trabalham e têm de 16 a 26 anos.

    Célia:
    Eu vou falar mais ou menos como surgiu o tema. Nosso tema pretendia colher dados que nos trouxessem informações a respeito da nova geração de jovens, o que eles esperam do futuro e a sua visão de mundo.

    A partir da escolha do tema, entramos em contato com a Aliança da Juventude Revolucionária que luta em defesa dos jovens por políticas sociais mais justas. Nós queremos trazer um tema que pudesse mostrar que o jovem também se empenha, que o jovem também é engajado e pode fazer alguma coisa.

    Passaremos agora para algumas perguntas que fizeram parte do nosso questionário e os respectivos resultados.

    Alberto:
    Uma das perguntas é: qual o seu maior sonho? A alternativa que mais se destacou foi a carreira de sucesso, ou seja, o maior sonho deles é ter uma carreira de sucesso.

    Célia:
    Uma outra pergunta: o que mais lhe incomoda? O principal dado foi que os jovens se incomodam mais com o descaso dos políticos, que foi cerca de 58%.

    Alberto:
    A pergunta foi: você participa de projetos sociais? A resposta que mais se destacou foi que sim, 61%. De acordo com esses dados, pudemos constatar que 61% dos estudantes entrevistados participam, agem, estão realmente comprometidos com algumas causas sociais.

    Nádia:
    Perguntamos: você se preocupa com o futuro? A grande maioria respondeu que sim, com 81%. Desses 81% perguntamos com que futuro se preocupa? Responderam: com o seu e da sua família com 57%.

    Nádia:
    Quais as conseqüências geradas pela falta de emprego para o jovem? O principal dado foi que 52% disseram que seria uma conseqüência o jovem acabar recorrendo à marginalidade.

    Nádia:
    Perguntamos também: o que é ser feliz para você? As principais alternativas com maior porcentagem foram: alguma coisa relacionada a trabalho, educação e saúde, com 21% e estar bem consigo e com os outros, que representou 29%.

    Nós também participamos do Seminário Regional e do Seminário Estadual de São Paulo.

    Célia:
    Dando início à parte conclusiva da nossa apresentação, só queríamos fazer um apanhado geral do que está sendo participar do NEPSO.

    Algumas dificuldades estiveram relacionadas à elaboração do questionário porque as questões precisavam vir de encontro ao objetivo do nosso tema e posteriormente descobrimos os obstáculos de se ter que trabalhar em grupo, ver o quanto esse trabalho em grupo exige de dedicação de cada pessoa.

    A gente acabou percebendo também que a principal coisa que a nossa geração espera é que o governo se mobilize e faça políticas sociais direcionadas para o jovem e quando o governo deixa de cumprir a sua parte, a gente sabe que o jovem é capaz de agir e fazer alguma coisa efetivamente.

    Para encerrar, vou citar uma frase que acho que resume principalmente o que é o significado do projeto: “Pesquisar, é antes de tudo saber ouvir o outro”.

    PerguntasO que surpreendeu vocês?
    Resposta: Célia:
    Acho que foi a idéia de que a maioria das pessoas entrevistadas participam de projetos sociais. Assim, o jovem não só questiona, não só reclama, ele também pode ir lá e fazer alguma coisa para mudar, acho que esse foi o principal resultado.

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    APRESENTAÇÃO DE PESQUISAS

    Alunos de educação de jovens e adultos da Escola Estadual Clarice Lispector também localizada no município de Mauá, coordenados pelos professores: Leonor, Roseli e Antonio.



    Palavra:Leonor:
    Eu sou a professora Leonor, trabalho na EMEJA Clarice Lispector. É uma escola de alfabetização de jovens e adultos e eu leciono para a fase II. A fase II corresponde à 3ª e 4ª séries do ensino fundamental I. Na nossa escola, esse projeto compreendeu, neste ano, o ensino médio e as nossas fases, teve alunos também da fase I e II que participaram, até os iniciantes se alfabetizando também participaram em formular as perguntas e depois fazerem as pesquisas.

    Lá na escola, o tema que foi colocado foi “o papel sócio-cultural e ambiental do catador”, porque nos 3 períodos nós temos alunos que trabalham na coleta dos produtos recicláveis, do lixo (que não é mais chamado de “lixo”, o nome é “reciclável”) de onde surgiu essa curiosidade de saber quem é na verdade o catador e qual a importância desse trabalho para o meio ambiente.

    Palavra: João:
    Bom dia! O meu nome é João, sou aluno da Escola Municipal Clarice Lispector, do município de Mauá. Para mim, é uma grande honra, pela segunda vez, estar participando com todos vocês desse maravilhoso congresso realizado aqui em São Paulo, o qual tenho acompanhado desde 2005 e declaro que o meu primeiro passo com NEPSO surgiu quando, através da escola Clarice Lispector, em 2005, fui convidado para fazer uma pesquisa sobre a origem e o destino do rio Tamanduateí e, junto a uma equipe de alunos, elaboramos uma pesquisa e saímos a campo. Depois de feita a pesquisa, elaboramos as tabulações e demos ao rio o título de “patrimônio cultural de Mauá”. Levamos ao público, no Seminário Estadual, em Itaquera e, no final daquele ano, a minha pessoa apresentou aquele trabalho na PUC [Pontifícia Universidade Católica] em São Paulo. No início deste ano, a convite da Faculdade Metodista de Rudge Ramos [São Bernardo do Campo - SP], estive presente, com aquele mesmo trabalho.

    Porém, hoje, neste congresso, estou aqui em nome da mesma escola, só que com outro projeto, uma outra pesquisa, apresentando o papel sócio-cultural-ambiental dos catadores do município de Mauá. Uma pesquisa que surgiu com uma outra equipe de alunos, da qual eu sou um deles. Elaboramos questionários, fomos a campo, pesquisamos os moradores e depois aplicamos um outro questionário aos catadores de lixo reciclável. Quando nós apresentamos a primeira pesquisa, tivemos uma proposta, só que na segunda pesquisa, surgiu uma proposta contraditória a primeira e levamos esse trabalho no Seminário Regional de Mauá. Em seguida, apresentamos no Seminário Estadual e hoje estou aqui para apresentar a continuação no final deste congresso.

    O que eu tenho para falar para vocês é o que eu consegui aprender com o NEPSO e a escola Clarice Lispector nesta caminhada e o que eu tenho entendido que o NEPSO tem feito na minha vida porque nesta caminhada, eu descobri, eu consegui aprender a pesquisar, o aprendizado dentro de 4 paredes em sala de aula e fazendo comparação lá fora e com isso enriqueci o meu currículo escolar, a minha personalidade, deu a mim uma nova visão mais objetiva e bem mais ampla. Na minha visão, o NEPSO está realizando um maravilhoso trabalho, não somente em São Paulo, mas no Brasil e nas nações vizinhas.

    É uma pena que nem todas as escolas, principalmente do Brasil, estão vinculadas a estas instituições [Instituto Paulo Montenegro e Ação Educativa], porque na minha opinião, cada vez que se reúne um grupo como esse, as escolas aprendem e buscam mais conhecimento e pode preparar os seus alunos para a dinâmica e encaminhar para o mercado do trabalho.

    Parabéns ao NEPSO e a Ação Educativa, parabéns à coordenadora deste trabalho, a professora Marilse pelo seu lindo talento, respeito, amor ao ensino público e por todos os seus alunos.

    Muito obrigado. João Nunes.

    Palavra: Estelita:
    Boa tarde! Eu sou Estelita, estudo na escola Clarice Lispector há 2 anos e participei da pesquisa dos catadores, pesquisei e gostei muito porque antes eu tinha uma certa rejeição pelos catadores e hoje, eu os encaro como trabalhadores. O catador que eu pesquisei, trabalhava em outras atividades, mas estava desempregado, por isso ele começou a catar papelão. começou nessa luta porque estava desempregado.

    Então, agora eu admiro a coragem deles de enfrentarem a luta, que é a sobrevivência deles. Antes eu era tímida, não tinha coragem de falar assim, no meio de gente, hoje eu já estou desinibida, já falo, mesmo se eu erro um pouquinho, mas vou em frente. Quando eu vejo os catadores, eu penso por que as autoridades não ajudam um pouco eles, por exemplo, com uma cooperativa onde eles tenham um trabalho regularizado?

    Palavra: Maria Auxiliadora:
    Eu me chamo Maria Auxiliadora, estudo na escola Clarice Lispector, em Mauá, e venho aqui falar sobre a reciclagem que é uma pesquisa que a gente fez com o NEPSO. Entrevistamos bastante catadores e temos alguma coisa para passar para vocês.

    Eu aprendi muito com os catadores, eu era uma pessoa que não me preocupava com o lixo. Eu colocava o lixo no portão, o caminhão levava e, para mim, encerrou o lixo, fiquei livre dele e tudo bem.

    Com essa pesquisa, eu aprendi que nós devemos reciclar o lixo e colaborar com os catadores. Os catadores precisam de muito apoio, inclusive de mais atenção, além de separar o lixo. Vamos pensar no dia-a-dia deles, porque precisam ter uma carteira assinada. É uma profissão como outra qualquer. A profissão do catador é muito importante e isso me comoveu muito, os catadores precisam de mais apoio. Então, vamos reciclar, vamos separar porque o nosso lixo é um luxo.

    A gente vai falar uma poesia:


    Catadores de Ilusão

    Diferentes idades, origens diferentes.
    Diferentes alturas, olhares diferentes.
    Diferentes sonhos, ilusões diferentes.
    Qual burros de carga, lá vão eles.
    Aonde irão?
    Tanta força, tanta coragem.
    Mas segue preso ao destino imposto de cima.
    Burros de carga? Não, porque pensam e sonham.

    Maltrapilhos percorrem essa cidade tão cruel, Ameaçados por olhares hostis.
    Apressam-se puxando as carroças, tração sub-humana.
    Passos largos, quase corre.
    Dobram as esquinas ofegantes, param, descansam.
    Observam os edifícios luxuosos.
    Fumam as bitucas.
    É quase noite, onde dormirão? Ainda não sabem.
    O que comerão? Quase nada.
    Depois seguirão pela vida, centenas deles alheios aos determinantes sociais.
    Ardilosamente montados para que se julguem responsáveis pelo que há de feio na cidade.

    Autor: Demerval Correia de Andrade

    Pergunta:
    Vocês fizeram duas pesquisas, uma com os catadores e depois outra com a população sobre os catadores. O que vocês descobriram quando vocês perguntavam quem era o catador, o que vocês descobriram de interessante e, depois, como é que a população via o catador?

    Resposta: João:
    É o seguinte: quanto aos nossos dois questionários, fizemos o seguinte: primeiro nós apresentamos aos moradores e depois aos catadores.

    Quando nós perguntamos aos moradores se eles separavam o lixo reciclável quando colocam na calçada, lá naquela cestinha. Uma parte respondeu que colocava o lixo reciclável já separado e o que não era reciclável também separado. Mas nós insistimos com a pergunta: por que quê vocês separam o que é lixo e aquele que é reciclado? Uns responderam que era para que o catador não sujasse a frente da sua casa; outros falaram que separavam o lixo reciclado porque já têm consciência de que ali tem alguma coisa que alguém pode catar e sobreviver com aquilo.

    Mas quando nós mudamos a pesquisa para os catadores, eles informaram para nós uma resposta contraditória. Muitos falaram para nós que muitos moradores batem o portão quando vêem um catador de papelão se aproximando de sua residência. Eu perguntei: por quê? – Porque somos mal vistos. Eu falei: - como vocês fazem para colher o papel reciclado? Ele falou – nós enfrentamos do jeito que podemos. Não temos uma luva, não temos nada, usamos a mão para pegar uma latinha de sardinha, papel higiênico e vamos tocando para frente.

    Pergunta:Sobre a poesia, eu gostaria de saber quem é esse Demerval, se ele é um catador? E parabéns pela iniciativa porque a poesia é muito bonita que lembra “Pescadores de Ilusão” que é uma música que os jovens gostam muito.

    Resposta:É de um espanhol e o professor Antonio que conhece o autor da poesia.

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    ENCERRAMENTO

    Paulo Roberto Pereira da Silva
    Dirigente de Ensino da Regional Leste 1-SP

    Boa tarde é um prazer estar aqui. Quero cumprimentar a todos presentes e agradecer a esse convite.

    Eu represento uma diretoria de ensino, que compreende 89 escolas estaduais, mais 86 escolas particulares, 108 mil alunos do Estado e 17.500 alunos da rede particular. Ou seja, 87% dos alunos estão na rede pública. Trabalho e moro numa região fantástica, que é a zona leste de São Paulo, onde residem aproximadamente 1 milhão e 700 mil pessoas. É uma região onde os movimentos sociais são muito fortes. Vimos assistindo uma melhora qualitativa de vida impressionante: o índice de violência diminuiu em 40%, segundo dados da polícia militar, um de nossos parceiros.

    Quero ressaltar isso, a questão das parcerias, desde já afirmando que eu estou aberto a ser parceiro de cada um de vocês aqui.

    São vários os projetos realizados nas escolas da Regional Leste 1, em parceria:

  • Através de uma pesquisa sobre escolas de samba no Carnaval, criamos o projeto “Samba se aprende na escola”, cuja idéia – trazida pelo jornalista Francisco Mesquita é montar uma escola de samba tendo como patrono o Sr. Nenê da Vila Matilde. Contamos também com a presença do pessoal da Leandro de Itaquera e da Mocidade Alegre porque a gente quer, de novo, o samba na rua!

  • “Hip-Hop na escola”: estamos fazendo várias parcerias para levar o hip-hop para as escolas: é a cultura popular entrando na escola. Vocês precisam ver o olhar dessas crianças quando eu disse que a gente ia fazer um projeto de hip hop na escola!. A apresentação foi no sábado passado, fabuloso!

  • O primeiro sonho de todo o mundo em qualquer pesquisa, diriam o quê? “Eu quero a minha casa”. Nessa linha, nós fechamos uma parceria com Senai da área de construção Civil e nós temos dois cursos: construção residencial e eletricista residencial. Entregamos a chave da primeira casa - totalmente sem ônus para o Estado - no último sábado: uma casa de aproximadamente 44 m2, duas quartos, sala, cozinha, na escola Vila Silvia. E há planos para muitas mais! Gasta-se muito pouco: constrói-se uma casa por 16 mil reais! A secretaria só financia o transporte e a alimentação dos alunos do ensino médio e poderíamos fazer 3, 4, 5 casas por ano com apoio de parceiros.

  • Meio ambiente: A região de Ermelino Matarazzo tem um problema muito sério de aquecimento. Por isto estamos trabalhando a questão do meio ambiente agregando vários parceiros: a igreja, as comunidades, os movimentos sociais, etc. Participamos de todas as reuniões, garantindo que e a Educação esteja presente.

  • Cinema e Vídeo nas Escolas: este foi um projeto no que se iniciou há 4 anos, e pelo qual agradeço muito ao pessoal da Ação Educativa. Possibilitou que a escola tenha uma ilha de edição em nossa oficina pedagógica. Montamos um curso de produção para os alunos, chamado “Jovens, Cinema e Ação”, cuja produção espero que vocês tenham oportunidade de conhecer. Temos em acervo mais ou menos 500 vídeos de cinema nacional e, como sabemos, o cinema acabou para a periferia, mas a gente quer levar o cinema para as escolas e estamos conseguindo fazer um pouco disso.

  • Falando de alfabetização, nós temos o programa “Letra e Vida” Vamos entregar livros para 370 jovens autores de 4ª série, 370 crianças que participaram de um projeto que a gente chama de “Pequenos Autores, Jovens Escritores”. Estamos lançando o site de “Pequenos Autores, Jovens Escritores” que é um site interativo. Qualquer professor, de qualquer lugar do Brasil poderá colocar no site um texto escrito por seus alunos.

  • Somos parceiros da Usp, da Unicsul, da Camilo Castelo Branco, Unicid, da Anhembi Morumbi porque a gente entende que nós precisamos de parceria, a Secretaria de Educação precisa de dinheiro e eu não peço dinheiro para ninguém, então quem quiser ser meu parceiro não precisa levar dinheiro, mas nós precisamos de parceiros para uma outra linha que é a qualificação, é a melhoria, é a escola que se torna agradável, que se torna interessante.

  • Caminhada da Paz, trabalhamos com Padre Chicão de Ermelino Matarazzo, o padre Rosalvino, na região de Itaquera e a meta da Caminhada da Paz deste ano é a busca do emprego para o jovem do ensino médio, esse é um dos nossos problemas. Temos 9.250 jovens que terminam o ensino médio esse ano e são muito poucas as oportunidades de emprego para eles.

  • Escola da Família: nossas escolas estão abertas 7 dias, vocês sabem disso, aqui em São Paulo, a gente trabalha 7 dias por semana e é muito bom.

  • Quero ainda citar o trabalho de informática básica em 35 escolas estaduais de nossa rede, com aulas de informática básica para a comunidade.

  • Temos 84 grêmios estudantis, trabalhando com a gente, não só instituído, mas trabalhando com a gente em parceria com o instituto “Sou da Paz”.

  • Campeonato de xadrez: estamos no 4º ano da Olimpíada de Xadrez, em todas as escolas da Diretoria de Ensino Leste 1. Em 7 delas, montaram clube de xadrez e estamos no 4º campeonato regional. No ano passado foram 980 participantes e não pudemos levar todos os que gostariam de participar.

  • E deixei o NEPSO para o final: já desde o primeiro encontro nosso com o NEPSO, me emocionou a possibilidade de termos pais e escola juntos. E isto estava acontecendo: o pessoal da escola, os pais, os alunos – ou melhor, estavam os pais e seus filhos – pois como já se disse hoje aqui, este rótulo “aluno” precisa acabar! No começo foram 7 escolas, hoje já pulamos para 17. E sem perder a efervescência, a espontaneidade. Esta é uma riqueza que não podemos perder! E o NEPSO é muito interessante porque é espontâneo, não é uma coisa forçada!

  • Gostaria de trazer algumas respostas: eu acredito na escola pública, eu acredito que esta revolução já começou há muito tempo, eu acredito mesmo! Eu digo sempre para os pais: acreditem na nossa escola pública, podem acreditar! Podem acreditar porque ela está diferente, ela está num caminhar diferente. Eu não acredito que a gente não possa melhorar, mas acho que já melhoramos muito e que não sabemos ainda como mostrar nosso valor, como dizer tudo o que há de bom! Sei que há muita dificuldade sim, e acho que é importante a gente abrir um amplo debate sobre educação, mas debate sério mesmo, as pessoas queiram ouvir algumas coisas que precisarem ser ditas.

    Concluo dizendo que esta linha de trabalho nos dá um caminho interessante e agradecendo muito esse convite a vocês todos.

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    ENCERRAMENTO

    Dagmar Silva Pinto de Castro
    Coordenadora da Cátedra Celso Daniel de Gestão de Cidades da Faculdade Metodista

    Bom dia a todos e todas e quero fazer uma pesquisa de opinião: vocês agüentam me ouvir?

    Nós queremos compartilhar com vocês algumas breves reflexões que estamos fazendo com relação ao processo NEPSO, não sem antes agradecer a vocês o convite, da Ação Educativa, do IBOPE, do Instituto Paulo Montenegro. Queria ainda acrescentar que conheci o NEPSO por meio do Luiz Roberto Alves que era o coordenador anterior da cátedra Gestão de Cidades. E fazer referência a um dos nossos seminários da cátedra realizado na semana passada quando percebemos o quanto é importante nós nos darmos conta de alguns processos que estão acontecendo hoje, no contemporâneo, muito relacionados a uma rede que vai se tecendo a partir de interesses e preocupações que são comuns. Uma delas, como aquelas que nós vimos hoje, pela manhã, desde logo cedo, no relato de vocês, que é o processo educativo e principalmente o programa NEPSO, coordenado pela Ação Educativa. Nesse sentido, quero trazer para vocês que a FAPESP acaba de aprovar um projeto feito em parceria com a Ação Educativa / NEPSO, a Secretaria de Educação de Mauá e a Universidade Metodista. Esta aprovação sinaliza esse espaço de legitimidade e foi uma experiência muito interessante porque foi a produção coletiva de um projeto de pesquisa.

    Nós sentamos com as professoras e professores envolvidos, sentamos com a Ação Educativa, Secretaria de Educação, pesquisadores da cátedra, enfim, foi um processo de várias reuniões discutindo um desenho do que foi encaminhado à FAPESP e foi aprovado. Então aí já vem um grande ensinamento que a própria metodologia do NEPSO traz, inclusive às universidades: acaba com aquela questão de que a pesquisa, eu no meu gabinete, traço, elaboro um projeto, encaminho ou produzo esse projeto sozinha. A mudança de lugar que o NEPSO promove está muito visível nessa aprovação, que entendo como legitimação dessa experiência quando temos a aprovação da Fundação de Amparo a Pesquisa. Não sei exatamente quantos projetos foram aprovados no Estado, mas certamente nesse a singularidade se encontra nas Políticas Públicas Integradas como um novo direito à cidade. É um edital que sai a cada 4 anos, o que me permite afirmar que é um avanço muito grande para todos nós.

    E também sinalizar algo que já foi apontado, a importância desse momento em que vários atores sociais se sentam numa mesa comum: a sociedade civil organizada, o poder público, as organizações com fins lucrativos, pois entendo que não dá mais para buscarmos os encaminhamentos necessários à nossa realidade, se não formos fazendo uma relação tripartite na governança das nossas cidades da questão local e regional. Se todos nós não somarmos as nossas forças, nós não vamos sair do lugar!

    Trago aqui algumas breves reflexões partindo do tema, o sentido do que é inovar:

    Por que essa experiência do NEPSO me conduz a palavra inovar? Vejam, porque está muito relacionado aquilo que nós ouvimos e que hoje foi relatado pelos alunos e alunas de diferentes idades. Até assinalo que essa experiência está sendo levada para alunos da graduação e tem sido uma experiência muito boa na Universidade Metodista. Nós temos um grupo de alunos que estão trabalhando com um projeto de extensão, pesquisando indicadores de qualidade de vida, que é o acúmulo da massa crítica da cátedra de gestão de cidade em três indicadores, são subjetivos? Sim, mas são norteadores para se pensar a qualidade de vida na cidade que geralmente está restrita ao: índice de mortalidade, número de pessoas na escola, analfabetismo etc. Nós estamos pesquisando 3 indicadores: ação cultural, serviços prestados ao público e ética pública. E eles estão construindo instrumento, validando e nós percebemos a olhos vistos a transformação que está ocorrendo por parte de alunos, alunas, professores, professoras e comunidade, inclusive com a aprovação agora de um PIBIC (bolsa de iniciação científica) para uma aluna desenvolver um trabalho junto a essa comunidade como resultado dessa pesquisa.

    Nessa questão do tema da inovação, assinalo que um pensador, que contribui para nós. Hussel diz que a ciência deve ser feita a partir do lugar em que vivemos, ou seja, o mundo da vida deve ser o chão onde produzimos conhecimento. Eu entendo que isso é o que inova, que aí está a riqueza da metodologia NEPSO porque ela inova ao trazer algo que é mais fundante, ou seja, a partir do momento que você traz a vida para a sala de aula o aluno vai para a vida para fazer esse passeio, esse diálogo nas disciplinas de português, matemática, história, geografia; no caso dos alunos da graduação, nas ciências contábeis, administração ou na estatística ou mesmo filosofia.

    Retomar brevemente o pensamento de Husserl demarca o lugar que se entende “a experiência do NEPSO como inovação”. O “ir às coisas mesmas”, tão caro a esse pensador, oferece um parâmetro para se pensar como o NEPSO passa a ser inovador ao estabelecer por meio da sua metodologia singular uma via de acesso entre a escola e a comunidade.

    A mudança nesse contexto se coloca no processo que revoluciona o cotidiano escolar - não como pensado décadas atrás - em grandes revoluções... A transformação que vai ocorrendo por aqueles e aquelas que são envolvidas no processo, e aí está um grande desafio nosso, sistematizarmos a partir da experiência vivida e por isto, o compromisso que a cátedra assumiu: vindo ou não vindo o dinheiro da FAPESP, a primeira fase da pesquisa nós fazemos, essa experiência não poderia se perder.

    Os relatos das professoras, os relatos dos alunos, você vendo aluno do primeiro ano primário que mal sabe ler, relatando trajetória de pesquisa... Eu sou professora de metodologia científica no mestrado, eu vejo a dificuldade que os alunos têm de desenvolver, a capacidade de interrogar, a capacidade de olhar o entorno, se interrogar e alunos do primário já fazem isso. Alunos, adultos que inclusive já foram lá apresentar o projeto no nosso seminário e nós brincamos “jovens adultos” quando ele foi apresentar, uma pessoa me cutucou: - mas ele não é jovem; eu falei: - ele é, ele começou a fazer pesquisa agora. Jovem pesquisador, olhar da cidade sob o olhar do jovem pesquisador, não tem a ver com idade, tem a ver com a descoberta, tirar a venda dos olhos, enxergar, interrogar. Eu acho que isso é provocação de ruptura porque você tira o que está submerso que eu entendo que é todo o nosso processo de educação bancária, principalmente na nossa tradição clientelista e de uma elite como o nosso senador falou: escola tem, mas é para uma elite, processos estão disponibilizados para uma elite. Isso é diferente, você ver qualquer pessoa tendo acesso a esse processo e descobrindo que é possível enxergar para além do rio, sendo o rio, o rio é cultura. Quando que nós poderíamos descobrir isso, se não fosse por meio de uma metodologia que recupera a experiência da vida para dali, sim, produzir um conhecimento? Eu já estou caminhando para o final da minha fala e eu peço licença para vocês para eu ler a síntese, porque senão eu vou me delongar e eu sei que nós estamos todos e todas já no nosso limite.

    Ao fazer a questão acima e várias questões provocadas pela reflexão, onde se localizaria o NEPSO como contribuição, a relação entre a escola e a comunidade? Foi o tema provocativo que me passaram.

    Ao fazer a questão acima, retomo o pensamento de Nasciutti que aponta a escola como via de acesso à comunidade. Ouso pensar o sentido de comunidade como algo mais amplo, pois o convívio com a comunidade interna das escolas: Cora Coralina, Clarice Lispector e outras que estão sediadas em Mauá e a participação nos seminários do NEPSO permitem estabelecer co-relação com as discussões da comunidade cívica que (Putnam estudou na Itália). Essa experiência será objeto de estudo mais aprofundado, pois o projeto de políticas públicas integradas foi aprovado pela FAPESP. Aqui já é possível apontar algumas sínteses: para Furtado, no caso brasileiro, a construção de um projeto nacional requer a criatividade política impulsionada por vontade coletiva que solicita o reencontro das lideranças políticas com os valores permanentes de nossa cultura.

    O ponto de partida virá de uma participação maior do povo no sistema de decisões. As reflexões de que Furtado empreende em torno das perguntas: onde estamos e para onde vamos? Aponta o caminho da cultura como capaz de ampliar nova linguagem a partir de uma política cultural que libera as forças criativas da sociedade.

    A cultura exerce um papel central por preservar a identidade cultural que inibe o consumo de bens culturais importados que impedem a atividade criadora e aí, eu incluo, inclusive, modismos pedagógicos. Eu fiquei pasma quando soube que num curso de pedagogia não aprofundam o pensamento de Paulo Freire. A cultura é o que dá liga necessária ao sentido de pertença aos grupos e comunidades. Em outras palavras, o fortalecimento da identidade cultural, abre um horizonte de possibilidades a “educatividade” da experiência de sentido e de pertença. O caso brasileiro requer por atenção a questão da cultura, pois a governança solicita a aproximação e o diálogo entre os três poderes: o público, o econômico e o da sociedade civil organizada. A governança solicita de antemão o reconhecimento de uma gestão tripartite. A inovação do NEPSO está no critério da radicalidade de uma subjetividade intencional responsável que acolhe a vida como princípio norteador nas tomadas de decisões. Em especial, no contemporâneo, onde a cidade se insere num contexto de globalização e das transformações globais que determinam o seu futuro.

    Pensar em inovação na lógica da racionalidade moderna implica pensar a partir de uma modernização instrumental para aqueles que têm acesso aos objetos de consumo que ela oferece.

    As características que marcam esse momento são da ordem de um mercado global que se sobrepõe ao Estado. Os paises de periferia, como o nosso, lidam constantemente com as forças que operam com princípios que favorecem blocos econômicos e seguimentos populacionais.

    A opção de pensar o NEPSO como inovação, identifica que a metodologia parte de um posicionamento de crítica a produção de um conhecimento desgarrado da vida. Ela permite trazer a fala daqueles que constroem um saber sem expulsar a legitimidade da experiência e da vida. Isso é importante assinalar que Santos diz: a residência, o lugar de trabalho por mais breve que sejam, são quadros de vida que tem peso na produção do homem. O fundamento permanente do trabalho subjetivo do pensar é o entorno vital, o entorno vivido é o lugar de troca, matriz de um processo intelectual.

    A experiência do NEPSO é inovadora, não porque é novidade, como se coloca na necessidade do novo e refutação do velho na sociedade de consumo, inovadora posto que retoma origem mais “fundante” da produção de um saber fazer que é a vida, a coragem de uma produção, de um pensar, enraizado na vida, não é algo abstrato ou registro histórico de um sonho por parte daqueles que inclusive idealizaram o próprio NEPSO e que operacionalizaram para ele se tornar vivo. Parte da vida como fonte segura e confiável para a ela voltar com proposições viáveis como vemos os alunos das escolas que transformam a pesquisa em ações coletivas no espaço público. Nós estamos acompanhando um grupo de alunos de uma escola de Mauá, que a partir desse projeto descobriram que eles não tinham acesso aos computadores que existem na escola. A partir dessa constatação eles estão elaborando um projeto para encaminhar ao governo do Estado porque que não adianta ter computador com sala fechada e só alguns poucos terem acesso, eles descobriram que eles podem e estão indo para além.

    Pensar inovação na experiência do NEPSO como alargamento da relação escola e comunidade, apontam sua ação influência na construção de políticas públicas integradas. O desafio é a partir dessa experiência produzir ciência da vida, construída a partir da vida e que a ela retorne como uma ação transformadora. Inovação em seu sentido mais original, diz respeito ao retorno ao mundo vivido como solo confiável na produção de conhecimento. Reconhecer que o Ethos como morada comum não é um dado, mas um construído pelo humano e para isso é necessário religarmos o conhecimento, a vida, a ética e a política como visto na experiência do NEPSO no grande ABC onde o público se coloca como espaço potencial da aparição do bem comum: cenário, presente, futuro; aprender a conhecer, a fazer, a viver e a ser.

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    ENCERRAMENTO

    Regina Scarpa
    Coordenadora Pedagógica da Fundação Vitor Civita

    Eu queria agradecer o convite do Instituto Paulo Montenegro e da Ação Educativa de participar deste evento e ter a honra de fechá-lo.

    Eu sou amiga do Instituto Paulo Montenegro há muito tempo, tenho os amigos da escola, tenho os amigos dos institutos e estendo aí minha simpatia pelo nosso querido Fabio Montenegro à Ana Lima que agora assume a direção.

    Em primeiro lugar, eu gostaria de destacar na organização desse congresso, a coerência com a missão do IBOPE de dar voz ao povo, de dar voz aos diferentes seguimentos da sociedade. Foi muito interessante ouvir as crianças participantes pesquisadoras, os jovens, os alunos de EJA, assim como o senador da república, professores, dirigentes, entidades não governamentais, enfim, parece que todos os segmentos aqui representados compuseram um panorama um pouco mais otimista da educação desse país.

    Tenho uma simpatia muito grande pelo NEPSO, assim como pelo INAF. Por quê? Porque eu acho que eles vão muito ao encontro do que, na minha opinião, é a vocação do terceiro setor, que é a produção de conhecimentos e metodologias com foco, com foco naquilo que as organizações corporativas, os institutos e fundações empresariais possam colaborar. Então o terceiro setor - ao contrário do primeiro setor que tem que dar conta de uma diversidade enorme de desafios e de problemas - tem essa vantagem de poder ter foco, tem condição de ao focar, construir conhecimentos, planejar, sistematizar, socializar com a missão última de impactar as políticas públicas. Acredito que tanto o NEPSO quanto o INAF (outro programa Instituto Paulo Montenegro) aproveitam toda essa expertise do IBOPE naquilo que é a pesquisa de opinião.

    Então, buscando fazer uma síntese do que vimos hoje aqui:

  • O NEPSO é um instrumento de muita flexibilidade, vimos como ele pode atender os diferentes segmentos de ensino e diferentes temas, assuntos e conteúdos porque ele não é fechado, ele é uma ferramenta, promovida por um princípio que está em sua própria base: promove essa possibilidade da gente conhecer de modo organizado e democrático, diferentes opiniões e saber que a nossa opinião não é a única, nem a melhor, nem a mais verdadeira, ela é uma entre outras. Acho que hoje esse é um exercício importantíssimo que a escola promove e o faz sem perder o foco na sua função de ensinar.

  • O NEPSO não é apenas mais um projeto dentro da escola, não desvia da escola a sua missão de ensinar os conteúdos curriculares porque é tanta coisa que é demandada dentro da escola... O NEPSO colabora com os ensinamentos curriculares: eu mesma já coordenei um projeto com esta metodologia lá no Maranhão e eu vi o quanto que ele é útil para o ensino dos conteúdos curriculares da matemática principalmente e também da leitura e da escrita, na medida em que se escrevem relatórios e pareceres sobre os frutos da pesquisa.

  • Um terceiro aspecto que eu gostaria de destacar – conforme vimos aqui hoje – é o poder de intervenção que ele tem como um beneficio muito importante. Enquanto eu ouvia os grupos falando, eu estava aqui pensando: por que ele tem a pesquisa, por que ouvir a opinião das pessoas tem esse poder de intervenção? Porque eu acho que pedir e dar respostas tem a ver com responsabilidade, assim como a “desresponsabilidade” é a ausência de respostas. Então, eu acho que na medida em que as pessoas são chamadas a responder, a pensar sobre um assunto e emitir a sua opinião a respeito dela, ela de alguma forma, começa a responsabilizar-se pela questão e este é um campo, um desafio que podemos aproveitar muito com esse projeto. É muito importante que as pessoas dêem respostas e se responsabilizem.

  • Já quanto aos desafios, chamou-me a atenção um aspecto que foi posto por uma mesa: o de como fazer o NEPSO migrar de um projeto do professor para um projeto da escola, uma análise de que o NEPSO está ainda muito centrado na sala de aula e que seria muito interessante que ele fosse para a escola. Aí fica uma provocação para a gente pensar: será que é do professor para escola ou é do professor e da escola como duas frentes diferentes, com objetivos específicos, atendendo essas especificidades daquilo que é inerente à sala da aula, daquilo que é importante, que tem a ver com a faixa etária, que tem a ver com o interesse daquele grupo, tem a ver com os conteúdos da matemática, enfim, daquilo que está sendo trabalhado e a especificidade da escola enquanto uma organização, enquanto um projeto institucional que pode ser orientado pelo gestor com a participação de todos atores escolares e da comunidade?

    Desejo uma boa tarde para todos e muito obrigada pela oportunidade.

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    ENCERRAMENTO

    Rogério Cajado
    Superintendente do Grupo IBOPE

    Bom dia a todos.

    É um prazer estar com vocês aqui no encerramento desse congresso e compartilhar nossa visão de tudo isso: depois de todas essas apresentações que vimos hoje acho que todos podemos concordar que não importa de onde seja a cidade, São Paulo - grande cidade de São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, qualquer Estado, cidade ou País, o desafio da melhoria da qualidade da educação é comum ainda que em realidades muito distintas.

    Esse desafio é grande, mas e possível resolver e o NEPSO é uma das ferramentas que pode contribuir para enfrentar essa questão.

    O trabalho desenvolvido pelo programa é um estímulo à valorização da educação e daqueles que com ela atuam. Muitos de vocês, que já desenvolvem atividades na área da educação, podem ter se identificado com o NEPSO e percebido oportunidades de parcerias, às quais estamos totalmente abertos.

    Gostaria ainda de destacar o crescimento do envolvimento dos colaboradores do grupo IBOPE com o NEPSO e com as atividades do Instituto Paulo Montenegro: sabemos do impacto positivo que este envolvimento traz, para o funcionário, para a empresa e para as ações que ajudamos a promover.

    Agradecemos pela presença de todos, que de alguma forma tem colaborado com a melhoria da educação em diversos paises e vem promovendo mudanças significativas no cenário atual.

    Até o próximo congresso nessa época, 2007.

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