| | O Brasil continua apresentando dados alarmantes de analfabetismo. Pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Paulo Montenegro/Ibope mostra que apenas 25% dos brasileiros entre 15 anos e 62 anos têm domínio pleno da leitura e conseguem localizar informações dentro de um texto. Os 75% restantes ou são analfabetos (8%) ou não conseguem dominar plenamente a escrita e a leitura (67%). Entre os 2 mil entrevistados em todo o País, 30% apresentam nível rudimentar de leitura - conseguem escrever palavras e identificar informação em frases curtas. Outros 37% têm nível básico: conseguem apenas ler e escrever pequenos bilhetes ou cartas.
Na primeira pesquisa sobre o tema feita pelo Instituto Paulo Montenegro/Ibope, em 2001, a taxa de analfabetismo era de 9%. O fato de ter caído para 8% não indica, segundo os técnicos do instituto, uma melhora. Isso porque a diferença está dentro da margem de erro da pesquisa, que é de 2,2%. Além disso, o período de apenas dois anos entre uma e outra não permite indicar tendência. Márcia Cavallari, diretora do Ibope, explicou que o alto índice de analfabetismo reflete o déficit educacional no País. Segundo ela, 60% da população ainda não têm a escolaridade mínima de 8 anos, que corresponde ao ensino fundamental e permite ao cidadão uma educação básica. "Falta qualificação de professores e material escolar. Os professores não têm sequer poder aquisitivo para comprar livros e se aprimorar no ensino", disse.
Cursos
Segundo a pesquisa, apenas 17% dos entrevistados disseram ter feito algum curso nos últimos 12 meses. O índice é baixo se comparado ao dos países desenvolvidos, que gira em torno de 40%. No Brasil, os cursos mais procurados são os de informática (31%) e idiomas (7%).
Segundo o último censo divulgado pelo IBGE, existem atualmente mais de 17 milhões de analfabetos no País. No início dos anos 90, 19,7% dos brasileiros não sabiam ler ou escrever, contra 12,8% no último censo.
| |