primeira página 
institucional 
nossa escola / Nepso 
alfabetismo funcional 
PerguntAção 
balcão de informações 
 
Al. Santos 2101, 9º andar - 01419-002 - São Paulo SP
fone (11) 3066 1601 - ipm@ibope.com.br
institucional

apresentação | estatuto | publicações | midiateca | estação IBOPE | imprensa | parcerias | dúvidas | pesquisas IBOPE | programa de voluntariado | nossa são paulo | linha do tempo |


Sexta, 24 / 05 / 2013
 
  instituto hoje 
 
Não basta ler
 
 
A meta é ambiciosa, possivelmente infactível, mas o esforço precisa ser feito. O plano do governo de erradicar o analfabetismo até 2006, ainda que temperado por um saudável ceticismo, merece o apoio de todos. Trata-se de um daqueles casos em que empresas e mesmo cidadãos comuns podem ajudar, identificando analfabetos em seus círculos e convencendo-os a participar de um programa de aprendizagem. Como muitos iletrados procuram esconder essa condição, a primeira dificuldade com que iniciativas de alfabetização em massa se deparam é justamente localizar o público-alvo. Esse, porém, não é o único nem o maior obstáculo. Vários esforços semelhantes já fracassaram no passado. Muitos se lembrarão do Mobral do governo militar nos anos 70. É de esperar que se tenha aprendido com os erros do passado. Um dos pontos mais sensíveis é o da continuidade. É até possível ensinar em três ou quatro meses um analfabeto a juntar letras e identificar palavras. Se ele não seguir se exercitando na leitura, porém, tende a esquecer o que aprendeu. Na melhor das hipóteses, será mais um analfabeto funcional, isto é, alguém capaz de balbuciar frases, mas não de compreendê-las. O problema do analfabetismo funcional, vale dizê-lo, não está circunscrito aos cursos de alfabetização. Ele está presente na rede regular de ensino, inclusive em nível superior. Pesquisa do Ibope revela que 38% dos brasileiros podem ser considerados analfabetos funcionais. Pelo levantamento, apenas 25% dos cidadãos acima de 15 anos têm domínio pleno da leitura e da escrita. Os caminhos escolhidos pelo governo para garantir a continuidade parecem tímidos. O risco, portanto, é o programa tornar-se apenas um eventual sucesso nas estatísticas sem que a nova habilidade corresponda a uma mudança qualitativa na vida do cidadão -o que ocorreria se ele continuasse estudando ou ao menos cultivando o hábito da leitura.

 
 Fonte: Folha de S. Paulo 
 Data: 10-09-2003 
 

 
 
 
Instituto Hoje
 
 

 
primeira página • institucional • nossa escola / Nepso • alfabetismo funcional • PerguntAção • balcão de informações • Instituto Paulo Montenegro®