| | Resultados do INAF (Indicador de Alfabetismo Funcional) nos presídios paulistas mostram que presos lêem e escrevem melhor do que a média da população brasileira
Os resultados de uma pesquisa inédita que mede o nível de alfabetização funcional da população carcerária do Estado de São Paulo serão divulgados no dia 27 de abril (quinta-feira), às 9h30, no auditório da Secretaria de
Administração Penitenciária. Estarão presentes o secretário da Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, e integrantes do CONSEJ (Conselho Nacional de Secretários de Justiça, Direitos Humanos, Cidadania e Administração Penitenciária).
A pesquisa, que envolveu 800 presos em 32 presídios, foi realizada pelo Instituto Paulo Montenegro, braço social do IBOPE, e pelo IBOPE Opinião. O instrumento usado foi o do INAF -- Indicador de Alfabetismo Funcional, aplicado
anualmente para medir as habilidades e práticas dos brasileiros entre 15 e 64 anos em leitura, escrita e matemática. Os números mostram que as habilidades de leitura e escrita da população carcerária são superiores aos da média da população brasileira.
A iniciativa da pesquisa partiu da Funap (Fundação Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel de Amparo ao Preso), com a intenção de reunir informações detalhadas para aprimorar os programas de escolarização formal e formação
geral nos presídios, contribuindo para a ressocialização e a empregabilidade dos presos. Para a Funap, o objetivo final é a remição da pena pela educação, a exemplo do que acontece hoje pelo trabalho -- a cada três dias
trabalhados, é diminuído um dia de pena para o preso. Atualmente, de um universo de 123 mil presos nos presídios paulistas, cerca de 18 mil estudam. "Queremos uma política pública que formalize a remição pela educação, assim teremos concretamente um incentivo para que os reeducandos ingressem em nossas escolas", diz o presidente da Funap, Iberê Baena Duarte
Depois da divulgação dos resultados da pesquisa haverá um debate com especialistas em sistema prisional e educadores, entre eles Dr. Carlos Fonseca Monnerat, juiz corregedor do DECRIM; Vera Masagão, da Ação Educativa; e Antonio Carlos Prado, editor da revista IstoÉ. A mediadora será Lúcia Inês Ribas Souza Siqueira, diretora de Promoção Humana da Funap.
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